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Pesquisa quantitativa ou qualitativa? Eis a questão!

16/03/2011 - Girlene Portela

Introdução

Considerando-se que a pesquisa científica exige, entre outras características, a criatividade, a disciplina, a organização e a modéstia do pesquisador, deve-se levar em conta que ele lida sempre com confrontos. Nesse sentido, a pesquisa em Ciências Sociais deve, entre outras coisas, suscitar o debate entre a sociologia positivista e a sociologia compreensiva, de acordo com Goldenberg (1999).

Muitas são as divergências observadas entre a metodologia quantitativa e a qualitativa. Assim, passaremos a discutir cada uma delas, para após, apresentarmos nossa crítica acerca da utilização de um ou de outro desses modelos, ou sugerir uma triangulação, que seria o mais adequado, considerando-se o universo ambíguo de que trata Granger (op. cit.).

 A pesquisa qualitativa

A pesquisa qualitativa não se preocupa com representatividade numérica, mas sim com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização etc. Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa se opõem ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para todas as ciências, já que as ciências sociais têm sua especificidade, o que pressupõe uma metodologia própria. Assim, os pesquisadores qualitativos recusam o modelo positivista aplicado ao estudo da vida social, uma vez que o pesquisador não pode fazer julgamentos nem permitir que seus preconceitos e crenças contaminem a pesquisa. (Goldenberg, 1999).

Os pesquisadores que utilizam os métodos qualitativos buscam explicar o porquê das coisas, exprimindo o que convém ser feito, mas não quantificam os valores e as trocas simbólicas nem se submetem à prova de fatos, pois os dados analisados são não-métricos (suscitados e de interação) e se valem de diferentes abordagens.

 Problemas teórico-metodológicos

Na pesquisa qualitativa, o cientista é ao mesmo tempo o sujeito e o objeto de suas pesquisas. O desenvolvimento da pesquisa é imprevisível. O conhecimento do pesquisador é parcial e limitado. « Le but de l’échantillonnage est de produire le maximum d’information: qu’il soit petit ou grand importe peu pourvu qu’il produise de nouveaux faits ». (Deslauriers, 1991, p.58)

Procedimentos metodológicos

Observação participante: através da participação na vida cotidiana do grupo ou da organização que estuda; entrevistas ou conversa para descobrir as interpretações sobre as situações que observou, podendo comparar e interpretar as respostas dadas em diferentes momentos e situações.

Coleta de dados

Investigação descritiva (fonte direta de dados é o ambiente natural); os materiais registrados são revistos na sua totalidade pelo investigador. Os dados são recolhidos em situação natural e complementados pela informação que se obtém através do contato direto; transcrições de entrevistas, notas de campo, fotografias, vídeos, documentos pessoais, memorandos e outros registros oficiais ; supremacia do processo em detrimento do produto; familiaridade com o ambiente, pessoas e outras fontes de dados, adquiridos principalmente através da observação direta, do estudo de caso da entrevista, além da história de vida, entre outros.

 Características da pesquisa qualitativa

 Objetivação do fenômeno, hierarquização das ações descrever, compreeender, explicar, precisão das relações entre o global e o local em determinado fenômeno, observância das diferenças entre o mundo social e o mundo natural, respeito ao caráter interativo entre os objetivos buscados pelos investigadores, suas orientações teóricas e seus dados empíricos, busca de resultados os mais fidedignos possíveis, oposição ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para todas as ciências.

Limites e riscos

Excessiva confiança no investigador enquanto instrumento de coleta de dados, reflexão exaustiva acerca das notas de campo pode representar uma forma de tentar dar conta do objeto estudado, além de controlar o efeito do observador, falta de detalhes sobre os processos através dos quais suas conclusões foram alcançadas, falta de observância de aspectos diferentes sob enfoques diferentes, certeza do próprio pesquisador com relação a seus dados, sensação de dominar profundamente o seu objeto de estudo, envolvimento do pesquisador na sua situação (ou com sujeitos) pesquisada. 

 Pesquisa quantitativa

 Nesse tipo de abordagem, os pesquisadores buscam exprimir as relações de dependência funcional entre variáveis para tratarem do como dos fenômenos. Eles procuram identificar os elementos constituintes do objeto estudado, estabelecendo a estrutura e a evolução das relações entre os elementos. Seus dados são métricos (medidas, comparação/padrão/metro) e as abordagens são experimental, hipotético-dedutiva, verificatória. Eles têm como base as metateorias formalizantes e descritivas.

· Vantagens: automaticidade e precisão, controle de bias

· Limites: determinação prévia de resultados

 

Conclusão

 Conforme características, limites e vantagens das abordagens acima citadas, acreditamos que a melhor forma de se pesquisar é através da integração entre os métodos quantitativo e qualitativo, pois para analisar-se com fidedignidade uma situação dada é necessário o uso de dados estatísticos e outros dados quantitativos, e também da análise qualitativa dos dados obtidos por meio de instrumentos quantitativos, entre outros cuidados para se evitar o bias, fruto da subjetividade que encerra uma pesquisa, a exemplo da subjetividade do pesquisador.

Considerando-se que a subjetividade do pesquisador sempre está presente, mesmo nas pesquisas quantitativas, o melhor procedimento a tomar é fazer um cruzamento de dados, podendo assim obter uma melhor compreensão do problema estudado, conforme o atesta Deslaurier (1991).

« En ce qui concerne les sources d’information, trois éléments doivent être précisés lors de la structuration de l’action: la procédure d’échantillonnage, la localisation des sources d’information et le nombre de sujet. La procédure d’échantillonnage consiste à déterminer comment les sources d’information seront sélectionnées: s’agit-il d’un échantillonnage au hasard, stratifié, intentionnel? Différentes stratégies sont possibles tant sur le plan de la recherche quantitative que la recherche qualitative (...) ». (p.59)

 As vantagens de se integrar os dois métodos está, de um lado, na explicitação de todos os passos da pesquisa, de outro, na oportunidade de prevenir a interferência da subjetividade do pesquisador nas conclusões obtidas.

Outros cuidados devem ser tomados para que uma pesquisa chegue a seu termo e seja aceita nos meios científicos, a exemplo da correção e adaptação dos instrumentos de pesquisa durante todo o processo, intervenção, através de instrumentação para a obtenção de resultados mais confiáveis, e manuseio de forma responsável de objetos e acontecimentos, entre outros.

Buscando-se uma excelência em pesquisa, o pesquisador deve levar em consideração as possíveis dificuldades a serem enfrentadas ao desenvolver a pesquisa. Nesse particular, sua experiência e maturidade são fatores determinantes para que a pesquisa seja bem-sucedida.

Além da consciência do papel do pesquisador frente às exigências do projeto, deve-se buscar o controle da subjetividade, levando os sujeitos a expressarem livremente suas opiniões, respeitando os valores e responsabilidades do pesquisador para consigo e para com a sua profissão, fazendo interpretações através de um esquema conceitual, respeitando a expressão de opiniões, crenças, atitudes e preconceitos, etc.

Com relação ao procedimento ético em pesquisa, é necessário buscar o consentimento informado e proteção dos sujeitos contra qualquer espécie de danos, dar importância central à intencionalidade dos atores, à complexidade e à fluidez dos processos implicados no desenvolvimento da ação social.

 Referências Bibliográficas

 Beaugrand, J. P. (1999) Observation directe du comportement. Fondements et  étapes de la recherche scientifique en psychologie.(pp 277-309). 3ª ed. Québec: Edisem.

Bogdan, R. C. e Biklen, S. K. (1994) Investigação Qualitativa em Educação. Portugal: Porto Editora LTDA.

Goldenberg, M. (1999) A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Record.

Hamel, J. (2000) À propos de l''''''''échantillon. De l''''''''utilité de quelques mises au point. Recherches qualitatives, 21, 3-20.

Laperrière, A. (1994) Les critères de cientificité des méthodes qualitatives, Les méthodes qualitatives en recherche sociale : problématiques et enjeux. Actes du Colloque du Conseil québécois de la recherche sociale (pp. 45-66).  Québec : Gouvernement du Québec, CQRS.

Laperrière, A. (2000) L''''''''observation directe. Recherche Sociale. De la problématique à la collecte des données. (pp. 241-262) 3ª..ed. Québec : Les presses de l''''''''Université du Québec.

Paillé, P. (1991) Procedures systématiques pour l''''''''élaboration d''''''''un guide d''''''''entrevu  semi-directif : un modèle et une illustration. Congrès de l''''''''Association cannadienne-française pour l''''''''avancement des sciences, Université de Sherbrooke, mai.

Paillé, P. (1994) L''''''''analyse par théorisation ancrée. Cahiers de recherche sociologique, (23), 147-181.

Van der Maren, J.-M. (1995) Les plans de recherche. Méthodes de recherche pour l''''''''éducation (pp. 216-239). Montréal: Les presses de l''''''''Université de Montréal,  De Boeck Université.

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