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O curso de Letras: vantagens e desafios

22/04/2011 - Girlene Portela

Fazer Letras, não é seguir um curso universitário qualquer!! Ser um profissional das Letras encerra atividades que podem ser corriqueiras ou nobres, a depender da importância que daremos a elas, já que ensinar a quem já fala e já escreve é um grande desafio, como o é a tradução, pois como sabemos “traduzir, por vezes, é trair!!” e, se nos fazer entender em nossa língua primeira já é um problema, imagina na língua dos outros!! Lembremos o papel que representamos na sociedade, pois ensinar, nos eleva à difícil condição de ser vitrine, já que estamos sempre na mira, já que somos, queiramos ou não, exemplos. Ou podemos ser ainda andaimes, pois servimos para amparar/equilibrar os sujeitos que constroem e, após a construção, somos retirados de cena, pois contrastamos com a beleza da obra pronta. Quantas vezes passamos por isso no exercício da nossa profissão? Assim, convido-os a refletirem acerca da escolha que fizeram quando optaram em fazer Letras, pois se de um lado somos os responsáveis pelos constantes erros ortográficos dos alunos, de outro somos indispensáveis na grade curricular de qualquer nível ou curso. (...) E porque pensamos no bem comum, escolhemos ser professor. E sê-lo não é nada fácil!   (...) Quando escolhi ser professora, estava ciente dos percalços, mas acima de tudo das alegrias da profissão, pois como diz Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”... E hoje, não falo das dores, mas do carinho, do respeito, da amizade dos meus alunos, que me ajudam a caminhar, mesmo quando me encontro desacreditada da minha missão.   No ano de 97, dois anos após ingressar como professora da UEFS, recebi o seguinte e-mail, que lerei na íntegra, sem qualquer intromissão magistral, como fazemos os professores de redação:   “Querida professora, é bem provável que a Senhora lembre-se de mim, não que eu seja algum aluno em especial, mas percebo que a sua vocação como educadora a faz prestar mais atenção em seus alunos do que a média. É importante dizer que estou escrevendo só para dizer que me lembro constantemente da professora e a tenho como uma referência importante como poucas, e isto parece a mim mesmo algo diferente pelo fato de eu estudar Economia e não Letras.... Gostaria intensamente agora de possuir o Dom da palavra, gostaria de não cometer gafes gramaticais e de estética para não a envergonhar, gostaria de fazer entender o quanto aprendi mesmo sem ter aprendido tanto.... aprendi a ser menos, aprendi a ser mais.... aprendi a continuar ouvindo e a crer na vida. Talvez até já soubesse boa parte destas coisas... no entanto, é imoral negar quando aparece em nossas vidas, ainda que de passagens, espíritos obstinados tais quais os teus....”. Obrigada por ser essa professora apaixonada... Um grande beijo de um Aluno que a admira muito, como professora, como pessoa e por que não, como mulher!”   Aquele e-mail calou fundo e decidi que não dava para continuar tentando anular a sertaneja, a filha, a mãe, a mulher, em prol da profissional, pois somos um todo que alia razão e emoção e somente reconhecendo isso poderemos formar e informar pessoas, qualitativamente. Assim, depois daquela mensagem, passei a rever os meus conceitos acerca da relação professor-aluno, o que em muito mudou o meu viver.   Desde então, passei a idealizar meus alunos, desejando que estes sejam tão desafiadores quanto competentes, tão brilhantes quanto humanos, pois enquanto professora sou, inevitavelmente, instrumento de busca pelo conhecimento e, em algum momento, exemplo, pois nós professores fomos talhados para fomentar o desejo de aprender, mas também devemos estar cientes de que temos muito para aprender com cada um daqueles que passam a fazer parte da nossa vida e a complementarem a nossa experiência de seres no mundo, pois jamais devemos perder de vista quem somos, nem de onde viemos, pois antes de sermos profissionais, somos gente que pensa, sente, sofre, ama, falha, erra, acerta; Vez que somos criança e somos adultos, somos professores, mas também homens e mulheres. Ensinar e aprender são ações de mão dupla que nos levam a ser outro, constantemente.   (...) Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso, assim eu encontro o meu aluno, que por sua vez me encontra, simplesmente porque cada pessoa que passa em nossa vida é única, pois representam as páginas, as folhas do nosso memorial, da escrita dos nossos dias... Vocês, ao escolherem dentre tantas profissões mais rentáveis e melhor aceitas como status social, a nobre tarefa de aprender/ensinar, muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há nessa profissão.   Mas ainda há esperança, como nos ensina Gabriel Perissé, em sua prece, pois haverá sempre aquele professor que não deixa de professar as injustiças, de querer melhorar a qualidade da educação, pois ele continua a amar o que faz e, continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se apaga como um traço de giz no quadro. Ter fé impede que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança em dias melhores, já que ensinar é uma forma de oração. Não uma oração “chacoalhar” de palavras sem sentido. Mera oração subordinada... Os professores apaixonados pelo que fazem, querem tudo: multiplicar o tempo, somar esforços, dividir problemas para solucioná-los, embora não haja solução para os professores que se renderam à paixão, visto que ela é inexplicável. E o pior!! é também indisfarçável. Por isso não disfarço que estou sempre e irremediavelmente apaixonada pela escolha que fiz, como não consigo disfarçar o contentamento de ter sido escolhida por vocês, antes enquanto alunos e agora como madrinha de tão especial turma, como também não disfarço o agradecimento a Deus e a cada aluno, parente (parêntese para minha mãe e filhas), colegas de profissão e a todos, sem exceção, a todos os professores que me escolherem, confiaram e apostaram em mim. Por isso, desejo a cada um de vocês, folhas da minha árvore, Paz... Saúde... Sucesso... e, acima de tudo, Amor..., pois sem ele, nada seríamos!!.   Nota: Para conhecer esse texto na íntegra, visite o link http://www2.uefs.br:8081/girlene/pdf/discurso_paraninfa.pdf  

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