Girlene Lima Portela | LinkedIn Acompanhe no Twitter Curta no Facebook Visualize no Flickr Assista no YouTube
 Artigos
1 2 3 4 5 6 7 Próxima >>

Discurso Patronesse Turmas de Letras e Pedagogia da UEFS

30/07/2016 - Girlene Portela

Exmo Reitor, demais componentes da mesa, prezados colegas homenageados, queridos pais, parentes, amores, amigos das estrelas da noite, prezados estudantes, razão de ser desta cerimônia.

 

Nesses 21 anos de atividades acadêmicas na UEFS, tive a honra de ser professora homenageada, Nome e Amiga da Turma, Paraninfa e, mais uma vez, Patrona, somando-se 13 oportunidades de estar aqui, neste lugar de destaque, como espero que a vida traga, a cada um de vocês, formandos, essa sensação de júbilo ao longo de suas carreiras.

Nessas irrepetidas vezes em que tive o privilégio de receber o carinho e o respeito dos estudantes, procurei não me deixar tomar pela vaidade, uma vez que, minhas palavras a cada formatura, tem um valor especial e, também nesta noite, serão proferidas através do coração de uma pessoa apaixonada pelo que faz. Ao posicionar-me aqui, mesmo depois de tantos anos assumindo esse púlpito, reafirmo minha alegria em ser mais uma vez Patrona, visto que essa é uma das maiores honras que um professor pode receber, pois seus estudantes creditaram-lhe o papel de conselheira, de madrinha, já que na maioria das vezes tal papel era atribuído a uma personalidade, nem sempre da área acadêmica. Os estudantes dos cursos de Letras e de Pedagogia, por formarem pessoas que formarão igualmente pessoas, abriram mão dessa prerrogativa, ao convidarem professores para assumirem tão importante papel. Agradeço-lhes, imensamente, por mais essa oportunidade de falar-lhes da minha gratidão por tal destaque e do apreço que tenho por esta turma, com a qual tive o prazer de interagir, seja discutindo o valor da leitura e da escrita, seja enquanto pesquisadora. E é como pesquisadora das Linguagens, tão fundamentais para a compreensão do homem, enquanto ser no mundo, que deixa seus legados, via texto, que lhes falo, esta noite, tencionando, dentre outros objetivos, animá-los a não desistirem de suas carreiras, pois "feliz é aquele que transforma o que sabe e aprende o que ensina.", como nos alerta Cora Coralina. Apesar de não mais sermos reconhecidos socialmente como aquele que é essencial às demais profissões, como o sujeito em uma oração, podemos nos orgulhar das frutíferas sementes que plantamos ao longo da nossa carreira e, por que não, da nossa vida, pois como sugere Henry Adams, "O professor se liga à eternidade. Ele nunca sabe quando cessa a sua influência". Quando ensinamos, estamos na verdade, aprendendo a aprender, já que “Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende.”, segundo da Vinci. E, se mesmo desvalorizados socialmente, continuamos abraçando a carreira docente é porque além de amarmos o que fazemos, nos propomos a receber as orientações e as teorias necessárias para assumirmos um papel que, infelizmente qualquer pessoa acredita-se apta a desempenhar. Temos diferentes profissionais dando aulas, como se a tarefa docente não merecesse o valor que tem. "(...) Ninguém começa a ser professor numa certa terça-feira, às 4 da tarde. Ninguém nasce professor ou marcado para ser professor. A gente se forma como educador permanentemente na prática e na reflexão sobre a prática", nos adverte o grande Mestre Paulo Freire. E é sobre essa prática reflexiva que apenas aqueles que se consideram eternos aprendizes que quero falar aqui. Ser um verdadeiro educador é querer dividir o conhecimento adquirido, sem reservas ou temor de que o discípulo o supere. Ser mestre é sentir um orgulho genuíno quando um dos nossos alunos alça vôos e, mesmo que ele não saiba reconhecer que em algum momento fomos os impulsionadores das primeiras tentativas de voar, comemoramos junto, uma vez que não há nada mais gratificante que constatar que nossos estudantes dominam a arte de interagirem, eficaz e eficientemente, com outrens, pois um professor é ainda aquele "(...) que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores", citando novamente Coralina.

A partir desta noite, vocês não mais serão os graduandos que sonhavam em remover as pedras de que falam Cora e Drummond, mas novos brotos que vingarão em nome da ciência e da arte, tão defendidas ao longo do curso, já que estudantes das Letras e da Pedagogia devem ter em mente que "A busca pela educação vem da consciência de nossa incompletude", como profetiza Freire e, quando optamos pela carreira docente, estamos admitindo que apenas na tarefa diária de ensinar/aprender nos sentimos realizados, já que “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente, aprende”. Citando Rosa, quero convocar-lhes a jamais esquecer que sempre estaremos na posição daquele professor disposto a refletir sempre, a buscar inovar, sem contudo perder a ternura e a certeza de que escolhemos a profissão mais sublime dentre as demais carreiras.  

Assim, desejo que, desta noite, não guardemos apenas as lindas imagens que serão capturadas deste momento mágico e irrepetível, mas principalmente, que assumamos fielmente o juramento em defender as Letras e o exercício da Pedagogia, além de honrar a nossa profissão, para que o magistério não passe de mais um ofício social. Oxalá não percamos de vista o dever e o direito de defender nosso papel de responsáveis pela formação de pessoas, dando o nosso melhor, nos despindo da presunção, da falta de humildade em reconhecer nossa humanidade, nossa necessidade de interação constante com nossos alunos, pois como diz Dostoievski: “É preciso falar cara a cara para poder ler a alma no rosto, para que o coração soe em palavras. Uma palavra dita com convicção, com plena sinceridade e sem medo, vale muito mais que dez folhas de papel cobertas de palavras”. Ensinar/aprender é justamente acreditar que estamos assumindo nossa função humana. Nesse contexto, quero assumir, mais uma vez aqui, o meu papel de ensinante/aprendiz, agradecendo-lhes pela generosidade com que acolheram minha partilha de vivências, de experiências, minhas ideias e teorias, ao longo das nossas aulas/interação. Agradeço-lhes ainda por todos os momentos em que vocês, apesar de todas as dificuldades enfrentadas, jamais cogitaram desistir.

É chegado o momento de finalmente, reiterar meus sinceros agradecimentos aos meus agora colegas e parceiros de viagem pelo mundo da (des)valorizada, mas tão essencial profissão docente. Obrigada, meus pupilos e afilhados!! Sejam muito felizes nessa caminhada que começa ou reinicia a partir de agora. Mostrem ao mundo que o que aprenderam ao longo desses anos de risos, lágrimas, perdas, vitórias não foram em vão, pois vocês estão preparados para fazerem a diferença nessa sociedade tão necessitada dos ensinamentos próprios dos profissionais das linguagens e da Pedagogia. Avante, plantadores de flores e de esperanças, que o brilho desta noite jamais se apague!!!

Au revoir, Goodbye, hasta luego, até logo!

 

Profa Dra Girlene Portela,

Julho de 2016

Deixe seu comentário
Visual CAPTCHA
 
 

LINGUAGENS

  • A Lua e o Aço (Vincent Villari)

    A luta do sonho contra a realidade, do amor, versus o ódio, que pode dirigir vidas, tra&cc...

    CONTINUE LENDO
  • When Nietzcshe wept (by Irvin D. Yalon)

    Expressa, através de relações entre seres imperfeitos, mas com carreiras con...

    CONTINUE LENDO
Interaja Conosco
 
Discurso Patronesse

Girlene Portela, Patronesse,Discurso

Ser madrinha de uma turma mais que especial é uma honra! 

Álbuns
® Girlene Portela - 2020. Todos os direitos reservados. Bahia - Brasil Desenvolvido por Otavio Nascimento