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Resenha do artigo "Ler para compreender; escrever para interagir..." de autoria de Girlene Portela

23/09/2016 - Thyale Coelho

PORTELA, Girlene L. Ler para compreender; escrever para interagir: o papel dos processos e das estratégias de escrita no ensino-aprendizagem de redação. Diadorim, vol. 5.  2009[1].


Autora do Livro “Da Tropicália à Marginália: o intertexto (a que será que se destina?) na produção de Caetano Veloso.” e de diversos artigos, Girlene Lima Portela, doutora e PhD em Educação pela Université de Sherbrooke (2003). Atualmente é professora da Universidade Estadual de Feira de Santana e líder do grupo de pesquisa GEALE, líder do grupo de Estudo das Imagem e membro do GEALIM, ANPOLL e da ALAB. Fundadora e coordenadora do ENEALE desde 1997. Orienta pesquisas na área de educação e de Letras.

 Em quatorze tópicos (contando introdução e conclusão),  o artigo científico: Ler para compreender; escrever para interagir: o papel dos processos e das estratégias de escrita no ensino-aprendizagem de redação, aponta contribuições para a melhoria da prática docente, e consequente qualidade da produção escrita dos alunos.

Inicialmente, Portela versa acerca dos desafios da educação, suscitando uma reflexão crítica aos métodos utilizados nas aulas de redação, aulas estas que ocorrem em tempo insuficiente para elaboração de um texto, e sem preparo prévio. No segundo tópico, Portela trata da capacidade cognitiva que possuímos, que nos permite armazenar informações e fazer uso eficiente das ideias, ainda revela a importância da prática de leitura para a construção de um arsenal de diferentes possibilidades, que auxilia o professor no trato pedagógico. Nesse momento, alude a relevância do orientador possuir o hábito da leitura para desencadear no aluno, o prazer de ler e registrar suas impressões. No terceiro tópico, Portela demonstra a etapa em que o professor ajuda o aluno a encontrar e desenvolver boas ideias e não esquecê-las rapidamente. Nesse momento, o aluno é incentivado a escrever um esboço, que será lido por outra pessoa que o ajude a organizar seu pensamento. A autora afirma que nós professores de língua, devemos encorajar os alunos a considerarem contribuições de terceiros ao seu texto. No quarto tópico, a autora revela a imprescindibilidade da leitura para o ensino da escrita, e a importância de considerar o aluno como sujeito de sua produção. Então o aluno deve se atentar para estrutura e conteúdo do texto, recorrendo a materiais de consulta para a ampliação de informações.

No quinto tópico, Portela mostra que cabe ao professor “convencer” os alunos da importância da escrita enquanto material de preservação da nossa memória histórico-cultural, de forma que  atribuam sentido a sua tarefa de escritura. Sempre que possível, o aluno deve recorrer ao professor para compreender seu progresso. No sexto tópico, a autora explica que é o momento de atribuir nota

 ao texto do aluno, avaliando a utilização dos elementos textuais. Ela ressalta a importância de o professor frisar a prática de revisão avaliação do texto, para que o aluno teste suas potencialidades, corrigindo-se sempre que possível, e ainda aponta sete estratégias para apoiar sua proposta. No sétimo tópico, a autora apresenta uma proposta prática que consiste em uma espécie de módulo para auxiliar os alunos em sua produção textual. Nesse momento, o aluno buscará compreender melhor o seu papel de escritor, sendo exposto a diversos gêneros textuais, buscando auxilio de ricos materiais de consulta.  No oitavo tópico, Portela propõe que os professores solicitem aos alunos que exponham suas estratégias de estudo, e sugere propostas para o  professor sistematizar as aulas. No nono tópico, a autora expõe os objetivos, adaptados de Fernandes, 2005, e de Préfontaine e Fortier, 1997. No décimo tópico, a autora explica que os alunos deverão organizar seus textos por categorias, a fim de melhor visualizar seus progressos, devendo ser um trabalho conjunto entre professores e alunos e alunos e colegas. No décimo primeiro tópico, a autora cita Geraldi (1980), para  lembrar que os alunos escrevem para um só interlocutor, e afirma que é preciso dar sentido ao que é produzido nas escolas. No décimo segundo tópico, a autora narra a importância da conversação entre os diversos gêneros textuais, criticando o uso de textos com linguagem distante do universo do estudante. A autora ainda versa sobre a carência de motivação existente no cotidiano do aluno, que segue uma leitura sempre guiada por professores, e sua prática de escrita não é valorizada, mas se faz mecânica em um processo que visa apenas o sucesso no vestibular. No décimo terceiro tópico, a autora cita Poissant (2005), que acredita em três etapas para a resolução de um problema, que giram em torno de uma arrumação, uma indução e uma transformação. Ela cita a poética da escritora Lispector (1960) para expressar a complexidade da escrita de um texto, afirmando com base em Poissant (2005) que para se produzir um texto eficiente, é necessário conhecer bem o tema a ser tratado, pesquisando-se ideias, para buscar uma solução lógica para uma problemática inicial. Nas considerações finais, a autora faz a constatação de que o texto é a manifestação material de discursos, de processos linguísticos e mentais elaborados pelos sujeitos envolvidos no ensino-aprendizagem da escrita. Explica que o aluno aprende de modo eficaz quando há prática de leitura e escrita, e nesse processo é imprescindível a atuação do professor ao comentar e apontar os pontos fortes e dificuldades a serem trabalhadas. Portela finaliza o artigo expondo a importância da intervenção do professor no processo de desenvolvimento de competências dos alunos.

            O Artigo referido conta com uma linguagem clara e coesa, e através de um aporte teórico possibilita ao leitor uma maior perspectiva diante da atividade docente, resultando na soma de conhecimentos acerca do processo de ensino-aprendizagem de redação. É imprescindível para o professor estar em constante busca de sua formação que não se dá ao passo da conclusão de um curso de graduação, mas é um fazer cíclico, que se constrói dia após dia, não se concretizando no momento de uma ascensão à sala de aula. Porque o saber se faz progressivo e inacabado. Acredito, pois, no empenho do professor enquanto profissional e estudioso para melhorar o desempenho das aulas através de pesquisas, inovações e diversificações no modo de exercer a docência, fatores essenciais para construir-se, paulatinamente, enquanto docente. É importante ressaltar a relevância do posicionamento de Portela, que defende a necessidade do professor manter o hábito de leitura, para incentivar seus alunos a serem leitores, desenvolvendo o gosto pela prática, uma vez que o professor, enquanto suposto sujeito do saber, precisa dotar-se de informações que despertem o interesse dos alunos. Dessa forma, a leitura do referido artigo oferece propostas válidas para estimular o fazer docente de formas outras, afastando-se do sistema de educação vigente, que se preocupa mais com a quantidade do que com a qualidade. Portela, com grande domínio do assunto, consegue transmitir de forma acessível um pouco de seu conhecimento, contribuindo assim para a formação contínua do profissional de letras, e consequente melhora no processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa/Redação. Por isso, recomendamos o referido artigo ao profissional e estudante da área de Letras, por conter informações indispensáveis para o fazer docente, mas não restringindo apenas à essa área, uma vez que as investigações podem adequar-se a  outros professores que também utilizam a escrita como forma de avaliação, estendendo-se nossa recomendação a todos que se interessem pelo tema.

 


[1] Resenhado por Thyale Coelho, estudante do curso de Especialização em Linguística e Ensino Aprendizagem da Universidade Estadual de Feira de Santana.

 

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