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Resenha do artigo "Ler para compreender; escrever para interagir..." de autoria de Girlene Portela

23/09/2016 - Maria Clara Sena

PORTELA, Girlene Lima. Ler para compreender; escrever para interagir: o papel dos processos e das estratégias de escrita no ensino-aprendizagem de redação. Feira de Santana, julho de 2016. Disponível em: http:/revistadiadorim.letras.ufrj.br/index.php/revistadiadorim/article/view/114. Acesso em 30/07/2016.[1]

 

Girlene Lima Portela é Phd em Educação e Mestre em Linguística; Professora Titular de Língua Portuguesa e Metodologia da Pesquisa da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS); vice-coordenadora do Programa de Mestrado em licenciatura e Diversidade Cultural (PPGLDC/UEFS).

O artigo intitulado Ler para compreender; escrever para interagir: o papel dos processos e das estratégias de escrita no ensino-aprendizagem de redação, que se encontra no blog da autora e professora Girlene Lima Portela, examina com maestria e precisão, ainda que de forma sucinta, nesse texto, o processo de ensino-aprendizagem de redação com relação ao sistema educativo brasileiro. Portela, em seu texto, deixa claro como o conhecimento de teorias (psicologia cognitiva, a didática da escrita e a linguística textual) podem ajudar o professor a desempenhar melhor seu fazer pedagógico, contribuindo, assim, para um melhor desempenho do aluno, no momento da escrita.

Portela divide o artigo em oito tópicos, sendo o primeiro a introdução e o último as considerações finais. Destes, o segundo (Processos e subprocessos de escrita) e o quinto (Conhecimento e desenvolvimento de estratégias de escrita) se subdividem, em subtópicos, para que haja uma melhor compreensão do leitor com relação ao aproveitamento das ações de leitura e escrita, que por sua vez devem ser bem orientadas pelo professor.

A autora, no primeiro tópico, coloca em evidência o tempo das aulas de Redação, nas instituições de ensino brasileiras, como empecilho para um texto bem elaborado. Destaca também ações e fatos (desafios) que devem ser experimentados e transpostos pelo professor e aluno, no sentido de dar significado a uma produção de texto, que se mostre convergente, por exemplo, com os estudos americanos e canadenses, uma vez que, esses estudos, indicam um tempo maior de aula como meio de garantir qualidade superior aos textos. 

Partindo do contexto explicitado acima, em que se encontra inserido o ensino da referida disciplina (Redação), é importante destacar que, durante todo o texto, sobretudo nos tópicos: dois, três, quatro, cinco e seis; Portela assumiu, enquanto professora e pesquisadora, uma postura responsável e comprometida, na feitura do artigo, com relação a deixar claros os papéis dos agentes (professor e aluno) na realização da escritura de um texto. No momento em que ela (segundo tópico) apresenta, de forma bastante didática, a função e a necessidade de o professor orientar o discente nas etapas (Ler para compreender, Pré-escrita, Rascunhar para planejar e Revisar para auto-avaliar) e nos objetivos que esse deve ter, durante a realização de tal atividade (a escrita de texto), compartilha conosco (docentes) atitudes que visam a um ensino em que: escrever com qualidade é o objetivo.

Nos tópicos três, quatro e cinco, destes, no primeiro, a autora evidencia a contribuição ativa, por parte do aluno, para que o TEXTO se torne um “produto pronto”.  Estratégias como: a motivação, a planificação, a antecipação, a tempestade de ideias (Brainstorm), a modelação, a consolidação e o feedback – devem ser utilizadas por ele, já que são responsáveis pelo avanço/mudança por que passa o processo de ensino-aprendizagem, se mostrando, esses procedimentos, ao mesmo tempo, importantes aliados para um texto bem elaborado.

Seguindo a linha de raciocínio acima e tendo consciência do seu papel, o aluno, segundo Portela, deve promover as mudanças com o auxílio do professor, pois esse tem a responsabilidade de proporcionar uma variedade de gêneros textuais, criando as condições adequadas para que aquele seja capaz de identificar suas dificuldades e potencialidades. Ao utilizar esse método, o aluno adquirirá segurança e maturidade necessárias para lidar com as questões de produção de texto que são, na maioria das vezes, muito complexas.

No último tópico dessa tríade, e, não menos importante, destaca-se o “Conhecimento e desenvolvimento de estratégias de escrita”, em subtópicos (“Objetivos das estratégias”, “Análise e registro dos processos” e “Publicação das produções (feedback)”) momento em que, a autora, discorre acerca da importância de o aluno responder a algumas questões, que antecedem o momento da escrita, com o intuito de formatar uma base sólida para que, sozinho, seja capaz de escrever um bom texto, organizando-o, julgando-o e visualizando, ao mesmo tempo, seus progressos. Depois de todo esse esforço, é necessário, segundo Portela, dá significado às produções publicando-as.

No sexto e sétimo tópicos, respectivamente: “Escrever textos variados: algumas sugestões” e “A escrita de um texto: resolução de problema”, Portela direciona a discussão para o profissional professor, explicitando suas angústias, no sexto tópico, no tocante ao reducionismo dos tipos textuais, ou seja, segundo ela, o ensino apresenta, de forma estanque, os gêneros e esses pouco, ou quase nunca, dialogam com outros, tendo ainda outro problema a ser vencido por nós professores: a linguagem dos clássicos que, na maioria das vezes, são usados como modelos em nossas salas.

No penúltimo tópico, o sétimo, uma analogia com a resolução de um problema matemático foi feita, uma vez que ao resolver o problema e produzir o texto a mente do aluno funciona de maneira semelhante. Considerando a teoria da psicologia cognitiva e seu teórico, Poissant, um problema se estrutura em três partes (arrumação, indução e transformação), cabendo ao aluno, para resolvê-lo, compreender a proposta, organizar, de forma lógica, as possíveis análises a serem postas no texto, revendo e reescrevendo as ideias postas, a fim de conferindo-lhe progressão, coerência na busca de resolver o problema.

No oitavo e último ponto “Considerações finais”, Portela faz uma breve retomada sobre o conteúdo tratado no texto, reforçando, mais uma vez, o papel do aluno e do professor durante o processo, de escrita de texto, enquanto agentes de transformação e mudança do ensino-aprendizagem de redação.

Este artigo, em especial, se faz necessário a qualquer estudioso por conter informações de situações, reais, vividas pela autora Girlene Portela comprometida com a pesquisa cientifica e disposta a compartilhar os passos necessários à realização de um ensino de produção de texto que de fato seja frutífero para aluno e professor. No entanto, vale ressaltar que com relação à crítica feita ao tempo de aula, no Brasil, no primeiro tópico, não houve, por parte da autora, uma sugestão, na prática, para a resolução do problema, haja vista ser esse hoje, a situação que mais compromete o ensino e o resultado do trabalho docente. Mas esse fato não comprometeu o desenvolvimento nem as informações no resto do texto.

Com linguagem clara e acessível à autora Girlene Portela, por meio de alternativas, teóricas e práticas, em alguns momentos, que foram alvo de preocupação e discussão durante o texto, abordou questões que precisam de bastante conhecimento do estudioso, a fim de tornar a prática da escrita eficaz em sala de aula.

Vale ressaltar que um estudo como este reforça o grau de intimidade entre a pesquisadora e as ciências, permitindo a esta, e a nós leitores, um diálogo entre as diversas áreas o que contribui para a realização do trabalho dela e do nosso.

 

 


[1] Resenhado por Maria Clara Sena, estudante do curso de Especialização em Linguística e Ensino Aprendizagem da Universidade Estadual de Feira de Santana.

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