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Da Simplicidade do Sertão às Sendas Acadêmicas: Retextualizações

08/11/2016 - Girlene Portela

As memórias da vida da gente são como fontes perenes que nunca secam; Nossa história é senão a junção de nascentes que deságuam num oceano de saberes e vivências. Uma vez partilhados, servem a dar sentido a outras existências.

                                                                                                                              (Girlene Portela, 2012)

Desvelando a autora: entre a poesia e a realidade         

 “Os cientistas dizem que somos feitos de átomos, mas um passarinho me contou que somos feitos de histórias”. (Eduardo Galeano, 2012, p.1)

Embora esteja ciente da tarefa de me ater, no presente documento, à minha carreira acadêmica, não posso desmerecer a ponta da malha de minhas vivências plurais, uma vez que considero que conhecimentos resultam tanto de achados científicos, como também de hábitos que constituem nossos valores, pois como ensina Tolstói, “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”. Baseada nessa premissa e, buscando nunca esquecer a sertaneja que fui e que bem sei, jamais deixarei de sê-lo, parafraseio o personagem Felizardo, brilhantemente interpretado pelo ator Diogo Vilela na novela “Aquele beijo”, quando dizia que “podem até tirar um homem do sertão, mas jamais tirarão o sertão de dentro dele”. E é esse ser impregnado de sertão que iniciará o relato que ora apresento, tecendo fios dialógicos entre a vida e a academia, entre os sonhos e a realidade que me trouxeram até aqui, pois comungando do pensamento do meu poeta brasileiro favorito, posso dizer que

 

“Assim como os antigos moralistas escreviam máximas, deu-me vontade de escrever o que se poderia chamar de mínimas, ou seja, alguma coisa que, ajustada às limitações do meu engenho, traduzisse um tipo de experiência vivida, que não chega a alcançar a sabedoria mas que, de qualquer modo,é resultado de viver. Andei reunindo pedacinhos de papel onde estas anotações vadias foram feitas e ofereço-as ao leitor, sem que pretenda convencê-lo do que penso nem convidá-lo a repensar suas idéias. São palavras que, de modo canhestro, aspiram a enveredar pelo avesso das coisas, admitindo-se que elas tenham um avesso, nem sempre perceptível mas às vezes curioso ou surpreendente”. (Carlos Drummond de Andrade, 1990, p. 3)

Letramentos sertanejos

Quando ingressei na universidade, em 1994, li alguns livros de Paulo Freire que, à época, não sabia ainda se tratar do maior educador do século XX, segundo avaliação de pesquisadores de outros países.

E, dentre outras lições que aprendi com a leitura desse admirável Mestre, uma me calou forte, pois me remetia aos meus primeiros anos no sertão, fonte de minha inspiração quotidiana para vencer desafios, romper fronteiras, pois como ensina Euclides da Cunha “o sertanejo é antes de tudo um forte” ou ainda na trilha de Guimarães Rosa, “o sertão é o mundo”!

E, nesse mundo, onde aprendemos a ser forte, num mar de labutas diárias, de disputa com as adversidades, aprendi a ler as mensagens do sol, das formigas, das cauãs, da rasga-mortalha; a levantar “com as galinhas” para recomeçar uma nova jornada, a tirar leite direto nas tetas das vacas e/ou cabras, a tomá-lo quentinho, a fazer chás de ervas curativas e, mais que isso, a ler o mundo, antes tão simples e puro, mas que logo daria lugar a outras paragens, outras apreensões, via leitura de livros, experiências e vivências tantas ...

Lendo Freire, lembrei-me que, como ele, também aprendi a ler e a escrever não embaixo de uma mangueira, pois na terra árida de onde vim apenas os mandacarus, cajueiros e umbuzeiros sobrevivem, e foi justamente embaixo de alguns deles, tomados como agências de correios por meu irmão mais velho que fui alfabetizada, jogando com minha imaginação e com as frases, a princípio indecifráveis, de algumas páginas de jornais e revistas trazidas pelo vento, não se sabe de onde, não se sabe com que intenção, só sei que ele ‘soprava a meu favor’!

Num jogo de querer aprender, recortava as letras grandes, as juntava e as reproduzia no chão com gravetos dos mesmos umbuzeiros-correio do imaginário e da criatividade do meu irmão Betinho. Brincando naquela terra, no sopé da Serra do Pensamento, aprendi o valor dos seixos da margem do rio, dos lajedos onde ‘deitávamos’ a roupa a secar, da pescaria e dos adjutórios que nos traziam outras crianças para dividir a cena.

Quando os amigos de meus pais nos visitavam e traziam com eles seus filhos, a brincadeira favorita era a de escola, sempre por mim sugerida! Ali brincando, acreditava que minha vida se resumia àquele mundo, vez que tínhamos tudo que alguém precisava para viver. Também aprendi o valor da solidariedade, das rezas, das crenças, do respeito aos mais velhos; aprendi a festejar a chuva, quando esta enchia de esperança aquele povo de pele sempre muito queimada, sempre ressecada, de uma beleza só mesmo compreendida por quem lá vivia.

Mas era preciso também conhecer além daquele universo, brincar no leito de outros rios, pois segundo Mia Couto “quem viveu pregado a um só chão não sabe sonhar outros lugares”. E a viagem a outros contextos teve a minha mãe como personagem principal. Sábia como ela só foi, mesmo sem ter a noção dessa tarefa, a timoneira-mor do meu navio explorador, mudando o rumo do enredo da minha existência.

Não posso esquecer ainda de outro personagem de mesmo valor e importância na escrita dessas mal/bem traçadas linhas: meu pai, amansador de burro bravo, vaqueiro requisitado e sanfoneiro respeitado no sertão! Dele, guardei a invenção, o trato com as palavras na criação de versos e de modinhas que ele cantava nas noites de lua cheia e que encantava os moradores do Sacraiú, lugar onde nasci sob os cuidados de uma parteira, aos trinta dias do mês mais quente do ano: janeiro de 1964!

Desses importantes personagens além de todos aqueles que, de alguma forma interagiram comigo, guardei também a busca pela organização, pela verdade, acima de tudo, seja por exemplos adquiridos nos incontáveis romances que li, seja nas muitas viagens que realizei, seja na aprendizagem constante como filha, irmã, esposa, mãe, avó, namorada, seja como professora/aprendiz, seja enquanto pesquisadora, que ao longo da carreira tentou entender o mundo via textos diversos, via discursos tantos que me levaram a ampliar o desejo de ir além, de mudar o rumo da minha história e, a cada dia aumentar significativamente o amor pela profissão.

 

Em busca de um sonho possível 

“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores”. (Cora Coralina, s/d).

 

Ainda no sertão de Riachão, minha terra de nascimento, embaixo dos umbuzeiros e nos seixos do leito do rio Jacuípe, que cortava as terras da minha família, sonhava em ser uma professorinha, embora nem mesmo tivesse a dimensão do que seria isso! Em todas as brincadeiras, estava eu sempre com um ar de “professora cabo de vassoura”, como me denomina meu colega, mestre e eterno professor Jorge Araújo! E não pôde ser diferente quando cresci (embora conte com uma estatura de apenas 1,65 de altura!).

Preocupada com nosso futuro, minha mãe resolveu que não era mais possível viver naquela terra “sete anos sem chover” e resolveu que deveríamos vir para Feira de Santana estudar. Ao chegar a essa cidade que me acolheu como se filha fosse, logo minha mãe tratou de me matricular numa escola do bairro do Santo Antonio dos Prazeres, meu primeiro endereço feirense. A partir de então, iniciava-se uma visita a um novo contexto: a educação escolar, convencional, real, que contrariava e ampliava os métodos da minha imaginária escolinha sertaneja.

Aprendendo e reaprendendo a ver, contextualizando e reciclando minhas concepções, descobri que já sabia ler e escrever, pois segundo Larrosa, a educação é “(...) a forma com que o mundo recebe os que nascem”. Mas eu já tinha nascido outra vez embaixo dos umbuzeiros, nos lajedos do leito do rio, viajando nas páginas das revistas e jornais, para espanto dos professores do Grupo Escolar Durvalina Carneiro, onde fiz meus estudos primários, pois eu já sabia ler e escrever algumas palavras ‘dicionárias’ e, imediatamente, fui matriculada no segundo ano. Então, com dez anos, logo fui promovida à terceira série, tamanha a desenvoltura com as letras e com as disciplinas da área de humanas. Fiz quatro anos escolares em apenas dois anos cronológicos!

Aos onze anos, minha querida e inesquecível professora Sônia me inscreveu num concurso nacional de redação, tendo logrado o primeiro lugar para espanto de todos. Naquela época, nem sabia a importância que isso tinha e nem mesmo pude ir receber o prêmio, pois não tinha roupa nem sapatos adequados para a ocasião[1] Na roça, não precisávamos disso e eu ia à escola sem sapatos até então. Ganhei uma farda e uma conga, mas elas estavam muito gastas para ir receber um prêmio, segundo a diretora da escola, sendo ela a representante da ganhadora do prêmio, nem sei onde nem o que ganhei. Lembro-me apenas de algumas flores e de uma placa que enfeitava a diretoria e que diziam serem minhas.

Mas que me importava aquilo? Onde iria colocá-las? Qual o significado delas? O que seria uma placa e algumas efêmeras flores diante da possibilidade de exercitar meus dotes escriturais e ainda por cima receber afagos dos professores e a torcida de alguns colegas e a “zoação” de outros?

Desvelando o início da vida profissional                             

“Sempre necessitamos ambicionar alguma coisa que, alcançada, não nos faz desambiciosos”. (Drummond, 1990)

 

Aos treze anos de idade, surgiu a grande oportunidade de trocar as salas de aulas imaginárias por classes de verdade! Assim, iniciei minha carreira de magistério quando ainda cursava a oitava série do nível médio, com apenas treze anos de idade, no antigo MOBRAL e de lá para cá não parei mais.

Trabalhar com adultos, que buscavam modificar suas histórias, via educação escolar, que acreditavam que ler e escrever poderia inseri-los no mundo dos letrados, motivava-me a querer adentrar o mais que eu pudesse nesse universo tão fascinante: a Educação. Decidi, a partir daquela experiência, que seria professora de verdade e que mudaria também o meu espaço, o meu destino, as condições financeiras de minha família, como também acreditavam meus alunos.

Ensinei alfabetização de adultos por cinco anos, concluindo o nível fundamental e iniciando no curso de Magistério, no Instituto de Educação Gastão Guimarães, uma escola tradicional que, à época, era especializada em formação ao ensino, anteriormente frequentada apenas por mulheres, na chamada Escola Normal.

Após a conclusão do curso de Magistério, comecei por lecionar do maternal à quarta série e, tendo galgado posição social que jamais tencionara, acreditava que já tinha sido por demais abençoada por ter conseguido ser professora de verdade, numa escola de verdade, com crianças de verdade! Acreditava que os céus já tinham sido mais que benfazejo, me permitindo ter uma profissão que ajudava meu então marido com as despesas. Jamais ambicionara além daquela dádiva!

Contudo, meu marido à época resolvera prestar vestibular para Economia e me convidou para ir com ele se inscrever no referido concurso. Ao chegarmos no local das inscrições, ele sugeriu que eu também me inscrevesse. Não sabendo sequer o que era vestibular, pois o magistério me parecia o curso ideal para quem queria vencer na vida, sequer sabia o que queria fazer no “vestibular”. Olhamos a lista de cursos e eu resolvi fazer Letras, porque sempre gostei de ler e achava que aquele curso seria o mais adequado. Me inscrevi e, por ironia do destino, passei em quarto lugar... Não acompanhei o resultado, primeiro por não ter me interessado, já que acreditava estar apenas acompanhando meu marido em seu sonho, a posteriori, por não saber como se dava o processo. Mas ele me informou sobre minha aprovação.

Após me matricular no Curso de Letras com inglês, iniciei o semestre tardiamente, pois nas duas primeiras semanas de aula minha primogênita fora acometida com catapora e eu adiei meu conhecimento do tal curso superior...

Ingressei na UEFS no ano de 1986. Já nas primeiras disciplinas me apaixonei pela Literatura, mas o destino e as oportunidades profissionais me levaram a optar pelo ensino de língua portuguesa e redação e assim, após o segundo semestre do curso, passei a lecionar na quarta e quinta séries do nível fundamental de ensino em escolas particulares, a exemplo do instinto Colégio Leonardo da Vinci, por sugestão da minha inesquecível professora de língua portuguesa, Célia Christina de Carvalho, a quem devo muito de minha ascensão profissional, pois uma vez convidada para dar aulas no referido colégio, me indicou para lecionar em seu lugar!

Após essa experiência em uma grande escola particular, fui convidada para lecionar em uma escola tradicional da cidade: a Escola Ruy Barbosa. À medida que meu trabalho em escolas primárias ficava conhecido na comunidade feirense, passei a ensinar também em níveis mais avançados nos Colégios Anísio Teixeira, Nobre e Padre Ovídio.

Concluído o curso de graduação em Letras, fiz concurso público para ministrar língua portuguesa na rede estadual de ensino. Aprovada em segundo lugar, lecionei no Colégio João Barbosa de Carvalho durante três anos, pedindo exoneração em 2007, para me dedicar aos estudos do Mestrado na UNICAMP.

Ao mesmo tempo em que lecionava na rede pública e nos Colégios Nobre, Padre Ovídio e Coopercultura, prestei concurso para a UEFS, em 1995, experiência que será relatada oportunamente.  

Aliando teoria à prática: a participação em projetos de extensão 

[...] Não há linguagem no vazio, seu grande objetivo é a interação, a comunicação com outro, dentro de um espaço social [...] (PCNs, 2011, Parte II)

 

Tão logo ingressei na Universidade enquanto aluna de Letras, me submeti a uma seleção para o preenchimento de uma vaga para estagiário de língua portuguesa, num programa de extensão promovido pela UEFS, denominado TRANSE (Transformando a Educação no ensino do primeiro grau), hoje TRANSE-DIA. Trabalhei neste programa por três anos até ingressar num outro que dava assistência educacional a uma empresa de grande porte instalada na cidade, denominado Projeto Drogafarma.

Aprovada na seleção do TRANSE, comecei a estagiar numa escola estadual de pequeno porte, na cidade de Feira de Santana, chamada Antonia Costa. Meu trabalho nesse projeto consistia no acompanhamento das atividades docentes in loco, numa classe de terceira série. Meu papel era observar como se dava as atividades docentes e trazer os resultados das observações para serem discutidos nas reuniões com os professores de outras áreas do conhecimento, a saber, matemática, geografia e ciências, em estudos interdisciplinares, onde tentávamos equacionar e resolver as deficiências observadas nas aulas das disciplinas supracitadas.

Nos semestres subsequentes, a simples observação ganhou contornos mais práticos e passei a ter um papel mais ativo no projeto, pois, após planejamento conjunto de atividades, íamos às salas de aula aplicar as sugestões, que giravam em torno da produção e leitura de textos.

Logo no meu primeiro encontro com as crianças, enquanto estagiária de língua portuguesa, percebi que muito teria a contribuir e a aprender, pois poderia aliar as teorias advindas das disciplinas cursadas na UEFS à minha prática docente, além de desenvolver ações refletidas, planejadas nos grupos de estudo do projeto, o que foi muito importante para a minha formação geral.

Aprovada na seleção do projeto Drogafarma, minha função era ministrar aulas de língua portuguesa para funcionários da empresa, em suas dependências, acompanhando o quotidiano e o funcionamento das atividades dos alunos na empresa.

Chegávamos à empresa às 18 horas e lanchávamos com os funcionários que estavam concluindo as suas atividades e com aqueles que estavam chegando para trabalharem no turno noturno, numa interessante interação. Após o sempre animado lanche, iniciávamos as aulas com os alunos-funcionários que estavam de saída para o merecido descanso e com aqueles que ainda tinham uma noite inteira de labor.

Assim, buscávamos desenvolver atividades relaxantes, sempre com músicas e dinâmicas que servissem para descontrair o ambiente, nascendo ali meu desejo de me dedicar mais e mais ao convívio com pessoas em diferentes ambientes de aprendizagem, num verdadeiro exercício de cidadania e de trocas.

Tanto o trabalho no projeto TRANSE quanto na empresa Drogafarma foram altamente significativos para a minha carreira, pois podia reavaliar a minha prática, rever posturas, tanto por meio das discussões engendradas nas reuniões com os coordenadores dos projetos, quanto nas observações feitas nas escolas ou ainda na interação com o universo da empresa e com os diferentes funcionários, o que enriqueceu sobremaneira minha prática. 

Permaneci nos projetos TRANSE e Drogafarma por oito anos, tempo de duração do meu curso de graduação, por conta de greves e de atividades profissionais, além do desejo de permanecer na graduação para me beneficiar ao máximo das atividades de extensão, que passaram a fazer parte da minha vida, qualitativamente, desde então.

Além da participação nos projetos de extensão, minha experiência em ensino tanto na rede pública quanto particular me permitiu conhecer um pouco de cada realidade educacional, pois, depois das experiências nos projetos, ministrei cursos e oficinas em cidades da Bahia e Sergipe.

Numa das viagens à cidade de Santa Luz, então estagiária do projeto TRANSE, fui entrevistada pela revista Nova Escola, edição de Outubro do ano 1991[2], por conta de uma estratégia de ensino que criei, a partir da proposta de um dicionário com palavras próprias da região e de jargões utilizados nos garimpos de pedras preciosas, onde os participantes do projeto trabalhavam.

Concluí minha graduação em 1994 e, naquele mesmo ano, prestei concurso para professor auxiliar em língua portuguesa, na mesma universidade em que estudei. Aprovada, iniciei uma nova experiência em minha carreira docente.

Depois de trabalhar com alfabetização de jovens e adultos - experiência basilar para a minha formação - iniciei um novo ciclo de tarefas docentes, a partir da experiência adquirida na escola de nível fundamental (lecionei do maternal à oitava série) e médio, do primeiro ano até cursinhos pré-vestibulares, onde lecionava redação e língua portuguesa.

Como professora da UEFS, continuei a desenvolver atividades de extensão e ministrei vários cursos de capacitação e de atualização em parceria com órgãos federais e estaduais, além de prefeituras municipais, procurando melhor qualificar pessoas para atuarem no mercado de trabalho, pois como propõe Cora Coralina "Feliz aquele que transforma o que sabe e aprende o que ensina." (s/d).

Embora a extensão universitária tenha tido um papel fundamental, tanto na minha experiência discente quanto na minha formação docente, a exigência por qualificação profissional me obrigava a dar "um tempo" nessas atividades e, uma vez professora universitária não era mais possível me contentar apenas com experiências, que muito acrescentavam à minha prática de sala de aula, mas que pouco somava às exigências de uma carreira num mercado cada vez mais competitivo: era preciso buscar qualificação também por meio de cursos de Pós-graduação.

 

Buscando qualificação profissional 

No dizer de Goulart (2006), a inclusão e a participação em uma sociedade letrada passam por conhecimentos de ordem prática, filosófica, científica e artística, como também por gestos, hábitos, atitudes, procedimentos e estratégias que constituem valores sociais. Baseada nessa proposição e, preocupada com a melhoria da qualidade de meu trabalho junto a escolas públicas e particulares de Feira de Santana, onde trabalhei com as matérias redação, língua portuguesa e literatura por mais de quinze anos, decidi investigar as causas do baixo rendimento dos alunos e dos candidatos ao vestibular na produção escrita. Assim, fiz meus estudos de Especialização, Mestrado e Doutorado nessa área. Contudo, foi no Doutorado que resolvi estudar a questão mais a fundo e busquei entender o fenômeno da escrita, a partir dos postulados de quatro correntes teóricas: a didática da escrita, a psicologia cognitiva, a linguística textual e a análise do discurso, buscando fazer uma ponte entre o curso inscrito na área da educação e uma abordagem multidisciplinar, com enfoque na linguística textual e na didática da escrita.

Os frutos dessa incursão pelas correntes teóricas que tem o texto como objeto de análise serão descritos na seção seguinte, que trata de minhas produções científicas, pouco numerosa, em detrimento das minhas produções instrucionais e pedagógicas, que não são mensuradas em baremas institucionais, nem em plataformas que visam a quantidade em detrimento da qualidade, mas que considero minha contribuição mais relevante para a educação brasileira, em especial a defesa da necessidade da retomada das aulas de composição, buscando melhorar o nível escritural de nossos estudantes.

 

Partilhando teorias: as produções bibliográficas

“Escrever é estar no extremo de si mesmo. E quem está assim se exercendo nessa nudez, a mais nua que há, tem pudor de que outros vejam, o que deve haver de esgar; de tiques, de gestos falhos, de pouco espetacular, na torta visão de uma alma, no pleno estertor de criar”.                                                                                                            (João Cabral de Melo Neto, 1997, p. 108 )

 

Contrariando as exigências dos órgãos de fomento, que mais ditam regras que buscam uma avaliação mais qualitativa do trabalho docente, tenho me dedicado mais às atividades de ensino, a ministrar cursos e palestras, bem como a participar de bancas, ações com as quais me comprometo a cada semestre, pois considero mais relevante difundir conhecimentos/aprender na troca com meus pares em situações reais, a partir de contatos diretos, que simplesmente publicar livros e artigos que mais copiam teorias e as multiplicam, sem qualquer preocupação com os verdadeiros agentes transformadores da sociedade: os professores.

Na contramão dessa prática estão as exigências absurdas tanto dos órgãos de fomento à pesquisa assim como das associações ligadas à Pós-Graduação, as quais imprimem regras cada vez mais absurdas no que tange à capacitação docente, na sua grande maioria sempre relacionadas à quantidade de publicações. Inconformada com essa situação, pois considero que há mais critérios qualitativos a serem avaliados, sempre questionei: Por quê produzirmos tanto para os nossos pares? Quantas vezes publicamos artigos originais, como sugerem os baremas de universidades para o incentivo por produção científica? Quantos dos nossos artigos servirão de base para novos artigos, de fato? Quantos dos nossos artigos chegarão às escolas, para melhorarem o trabalho no que tange a língua e a redação? Quais teorias que defendemos realizam verdadeiramente uma transposição didática a ponto de minorar os fracassos escolares que crescem a cada ano, mesmo com os números divulgados pelo MEC que nos colocam na 13ª posição em nível mundial em termos da “qualidade” da pós-graduação brasileira?

Ciente estou também da crítica a esse preciosismo, a esse “idealismo barato”, diria alguns colegas, fanáticos pela ampliação desordenada de seus Lattes, numa febre pela busca de participações em eventos que nos últimos tempos se transformaram em máquinas de vender diplomas, uma vez que sequer temos tempo para discutirmos nossas comunicações ou mesmo apresentá-las para um público além dos nossos colegas também apresentadores e por publicações desmedidas ou quem sabe ainda por galgar postos de pesquisador sênior e representar suas instituições em grandes centros do país. Eu, na minha modesta ambição, quero a sala de aula, quero a afeição e o respeito dos alunos, quero os abraços e o carinho daqueles que confiam na minha história de vida, nas teorias aliadas à prática que sempre primei nas minhas aulas; na experiência das muitas viagens feitas a tantos formigueiros (como me ensinou um dia minha colega Rosana Patrício).

Contudo, embora tenha produzido pouco, neste item, minhas produções têm sido muito utilizadas por alunos e pesquisadores de inúmeras universidades, as quais serão caracterizadas a seguir. 

Apaixonada pela produção caetaneana, busquei, no Mestrado, analisar tal produção em dois momentos sócio-históricos: o Tropicalismo (década de 60) e a Marginália (década de 70). Nessa produção, buscava compreender os fatores de textualidade e, mais especificamente, a intertextualidade.

Por ocasião da defesa da dissertação, os membros da banca sugeriram sua publicação, nascendo O livro “O intertexto ("a que será que se destina") na produção de Caetano Veloso”, publicado em 1999, o qual está com a primeira edição esgotada e faz parte do acervo da biblioteca do MIS (Museu de Imagem e Som) de São Paulo, sendo este leitura obrigatória em diversos cursos de Mestrado e Doutorado, não só no Brasil, mas na Bélgica (Université Libre de Bruxelles e Université de Louvain), Canadá (UQÀM e Université de Sherbrooke) e Estados Unidos (University of Florida).

Nos anos compreendidos entre 2000 e 2003 não me dediquei a publicações, pois estava muito atarefada com os estudos doutorais no Canadá, onde enfrentei problemas com o orientador inicial e necessitei aguardar seis meses sem novo orientador, o que me fez rever várias vezes o projeto inicial em busca de uma temática que melhor respondesse às linhas de pesquisa desenvolvidas pelos docentes dos programas da área de Educação na universidade onde eu realizava o Doutorado.

Em 2004, após retomar minhas atividades docentes na UEFS, publiquei, no site da referida instituição, o artigo intitulado Pesquisa quantitativa ou qualitativa: eis a questão, com o intuito de auxiliar os alunos da disciplina Metodologia da Pesquisa em Letras a melhor compreenderem os tipos de abordagens, as exigências e características de uma pesquisa. Para minha surpresa, este artigo tem sido utilizado em vários cursos, não só de graduação, mas de pós-graduação em todo o país, sendo citado em referências de dissertações e teses (Cf. no link Girlene Portela no Google).

Em 2005, a partir de uma discussão iniciada durante minha participação no VI CELL (Congresso Nacional de Estudos Linguísticos e Literários), na UEFS, onde dei um mini-curso, resolvi registrar uma sugestão de um participante que após assistir a uma das minhas apresentações disse que eu deveria publicar os slides apresentados, o que culminou no artigo Contribuições da linguística textual para o ensino-aprendizagem da leitura/escrita, na Revista “A cor das Letras” (UEFS), que passou a ser leitura obrigatória em inúmeros cursos de graduação e pós-graduação em Letras do país.

Das minhas incursões em pesquisas no Canadá, ingressei no CERES (Centre de Recherche sur l’Enseignement Superieur) e também me tornei membro de l’ACFAS (Association Canadense Française pour l’avancement du Savoir). Como membro dessas associações, desenvolvi uma pesquisa interdepartamental (Letras e Educação/ UEFS) e interinstitucional (UEFS/Université de Sherbrooke) com verbas do governo do Québec que custeou dois bolsistas, o material para coleta e análise de dados, além de passagens aéreas e estada em Montréal para apresentação do resultado da pesquisa, o qual ocorreu num Congresso na Mc Gill University, no ano de 1996, três anos após a conclusão do meu doutorado. Nos anais desse evento, publiquei o resumo intitulado L'enseignement et l'apprentissage de la langue maternelle dans une université brésilienne: état de la situation[3]. Naquele mesmo ano, publiquei, também em anais, o resumo de partes da referida pesquisa intitulado Ensino-aprendizagem de língua portuguesa I em cursos da UEFS no Seminário Internacional sobre pesquisa, ensino e formação de professores e I seminário de pesquisa. Ainda no ano de 2006 participei, na UFU (Universidade Federal de Uberlândia) do XI SILEL, onde coordenei um GT e apresentei uma comunicação Intitulada Ensino-aprendizagem de escrita: novas possibilidades, a qual foi publicada em forma de resumo nos anais do referido evento, pois estava participando de atividades de pesquisa na Bélgica e não tive tempo para enviar o artigo ou mesmo um resumo expandido.

Em 2007, enquanto participante de uma mesa redonda no I Fórum Nacional Discurso e Textualidades, realizado na UNEB, Campus de Jequié, publiquei, nos anais do referido evento, o artigo A relação dialógica na produção/recepção textual: a informatividade e a situacionalidade em questão.

No ano de 2008, publiquei, em parceria com dois dos meus monitores do UpT (Universidade para Todos), Jocenilson Ribeiro e Geisa Fróes, um artigo intitulado Argumentação e prática discursiva: um estudo das condições de produção em concurso de redação do Programa Universidade para Todos, nos anais do III Simpósio Internacional sobre Análise do Discurso: emoções, ethos e argumentação (UFMG). Contudo, essa foi a única produção publicada naquele ano, visto que estávamos com déficit de professores na sub-área de Linguística e eu precisei extrapolar minha carga horária, ministrando cinco disciplinas, além de orientar muitas pesquisas e ainda me preparar para a mudança de nível para Titular.

No ano de 2009, publiquei em parceria com meus ex-orientadores Gilles Fortier e Clémence Préfontaine (UQAM), o artigo Pratiques d’enseignement de l’écriture en première année du secondaire à Feira de Santana, au Brésil, nos anais do I CIELLA (Congresso Internacional de Estudos Linguísticos e Literários na Amazônia), na UFPA (Belém).

 No ano de 2010, publiquei parte do texto elaborado para a minha mudança de Adjunto para Titular na Revista Diadorim (UFRJ), cujo título é Ler para compreender; escrever para interagir: o papel dos processos e estratégias de escrita no ensino-aprendizagem, o qual retoma meus estudos doutorais, visando contribuir para a melhoria das aulas de redação na escola, tendo sido posteriormente disponibilizado também no meu site, com mais de três mil acessos e referenciado em muitos trabalhos acadêmicos.

Como resultado de minhas pesquisas sobre a poesia baiana contemporânea, na época em que fui professora permanente e vice-coordenadora do Mestrado em Literatura publiquei, juntamente com minha bolsista de iniciação científica Flávia Rodrigues, o artigo O discurso na poesia de Ildasio Tavares. um estudo da coesao e da coerencia textual, na Revista Graduando (UEFS), tendo sido também apresentado partes desse estudo por essa mesma bolsista em eventos acadêmicos em Recife (UFPE) e em universidades baianas, a exemplo do artigo Os fatores de textualidade e o discurso no poema desnatal de Ildásio Tavares, publicado em evento na UNEB.

No ano de 2011, estive em licença prêmio e resolvi me dedicar mais à minha vida pessoal e familiar, já que até então tinha vivido praticamente para as minhas atividades na instituição, me afastando um pouco da vida acadêmica, dando um tempo nas orientações e publicações, deixando também de integrar o corpo docente e o colegiado do Mestrado em Literatura, onde trabalhei por cinco anos. Ao retornar da licença fui convidada a ingressar como professora colaboradora no MEL (Mestrado em Estudos Linguísticos), retomando as atividades acadêmicas somente no final daquele ano.

No ano em curso (2012), publiquei dois artigos: 1) Olhar e (não) ver: os desafios para a análise de um texto fotográfico[4], nos anais do IV COLSEMI (Colóquio Internacional de Semiótica) (UERJ), cujo tema era Linguagem, códigos e suas tecnologias: Estudos e aplicações, tendo sido publicado na Revista Dialogarts (RJ); 2) A escrita na escola: desafios e propostas para o professor de língua e redação, na Revista Intersecções (UNIANCHIETA), um dos meus trabalhos mais relevantes, pois engloba todos os estudos por mim realizados até então, com o intuito de facultar aos professores dos ensinos fundamentais e médios, mecanismos e estratégias mais eficientes para a melhoria da qualidade do ensino-aprendizagem de leitura e escrita.

Embora saiba que há uma exigência do MEC em que publiquemos livros autorais e artigos em periódicos em revistas muito qualificadas, acredito que minha contribuição mais pontual e eficiente se dá por conta das publicações de artigos, tutoriais e manuais, com uma média de três mil visitas diárias a meu site http://www.girleneportela.com.br rendendo muitas interações e citações em artigos, monografias, dissertações e teses em todo o país. Essas são as minhas produções mais relevantes, pelo alcance e pela democracia, além da rapidez com que chegam aos diferentes leitores, uma vez que elas atingem públicos que jamais os periódicos e livros acadêmicos, certificados pelos órgãos oficiais poderiam alcançar!

Partilhando saberes: experiências docentes no Ensino Superior

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar. Constatando, intervenho. Intervindo, educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. (FREIRE, 2003, p. 29).

 

Leciono na UEFS desde 1995, atuando ativamente desde minha admissão em agosto daquele ano, tendo me afastado de minhas funções docentes apenas durante o período em que estive na UNICAMP (1998) e na Université de Sherbrooke (2001), para realização de uma parte dos estudos de mestrado e de doutorado.

Na graduação, ministrei, de 1995 a 2000, as disciplinas língua portuguesa I, para os cursos de Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Licenciatura em História, Licenciatura em Educação Física, Licenciatura em Matemática e Língua Portuguesa II, III e VI para o curso de Licenciatura em Letras.

A partir de 2000, propus a criação da disciplina Metodologia da Pesquisa em Letras, a qual ministro desde aquele ano para o curso de Letras com línguas estrangeiras, que consiste em preparar os alunos para a produção de seus trabalhos de final de curso, além de preencher lacunas deixadas ao longo da graduação no que concerne as normas da ABNT, a natureza de textos acadêmicos (fichamentos, resenhas, ensaios, projetos etc.).

Procurada pela então coordenadora do Colegiado de Matemática, professora Marta, criei a disciplina Laboratório de Pesquisa e Produção de Texto, a fim de substituir a disciplina Língua portuguesa I, que era oferecida pelo DLET aos demais cursos. A partir da criação dessa disciplina, passei a integrar o quadro docente do DEXA, ministrando a disciplina Laboratório e também Projeto I e II, para o curso de Licenciatura em Matemática.

Na Especialização em Letras (Estudos Linguísticos), ministrei, em 2003, a disciplina Processos e estratégias de ensino de produção escrita, em três turmas (Feira, Santo Amaro e Lençóis). Atualmente, ministro a disciplina Metodologia da Pesquisa (Estudos Literários) e Seminário Estudantil de Pesquisa (Estudos Lingüísticos).

Na Especialização em Letras (Estudos Literários), ministrei também a disciplina metodologia da pesquisa, por dois anos consecutivos.

Na Especialização em Desenho, ministrei as disciplinas Metodologia da Pesquisa e Teoria e prática da criatividade, em 2009.

Na Especialização em Ciências Contábeis, ministrei também a disciplina Metodologia da Pesquisa, por dois semestres.

 No Mestrado em Literatura e Diversidade Cultural, lecionei, entre 2005, as disciplinas Metodologia da pesquisa e Música e literatura, uma parte da disciplina Literatura e outras linguagens, além de Seminário de pesquisa e, no ano de 2008, fiquei responsável pela disciplina Estágio docência.

No Mestrado em Estudos Linguísticos, ministrei neste ano (2012) a disciplina Estudos de Letramento e ensino, integrando o corpo docente na qualidade de professor colaborador, embora tenha feito parte da comissão de seleção da segunda turma do MEL em 2011, co-orientando extra-oficialmente alguns mestrandos em seus projetos de pesquisa.

Além da UEFS, realizei atividades nas Faculdades FTC e UNIFACS, onde ministrei cursos de atualização e elaborei dois módulos para os cursos de Educação à Distância, a exemplo do módulo Introdução à Lingüística Textual (FTC) e Leitura e Produção de Textos (UNIFACS).

Também ministrei a disciplina “processos e estratégias para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita” em uma universidade estrangeira, na Université du Québec à Montreal (UQAM), na qualidade de professora visitante, no curso de Mestrado em Didática da Escrita, como será detalhado a seguir.

 

Rompendo fronteiras: pesquisadora e professora visitante no Canadá

Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar.  (Paulo Freire, 2000, p. 26).

 

Tão logo concluí o curso de Doutorado na Université de Sherbrooke, fui convidada a participar do GROUPE DIEPE (Description Internationale de la Production Écrite), a partir dos dados coletados em Feira de Santana. Como tal, fui também convidada pelos meus orientadores Clémence Préfontaine e Gilles Fortier a ministrar uma disciplina na Université du Québec à Montreal (UQÀM), no curso de Mestrado em Didática da Escrita, o que aconteceu em 2006.

À época, meus orientadores estavam avaliando a pertinência e a relevância do uso do uso de um portifólio que tinham produzido para o ensino de escrita. Conhecendo minha experiência em educação, convidaram-me para traduzir o referido material para o português, numa tentativa de divulgá-lo aqui no Brasil. Para tanto, fui contratada pela Chenelière Éducation, uma editora afiliada a McGraw-Hill, sendo esse material enviado a várias editoras brasileiras, mas até o momento não recebemos qualquer resposta! Uma vez que o uso do portifólio ainda estava em avaliação, fui convidada pelos autores a participar dessa tarefa e assim, visitamos todas as escolas privadas de Montreal, onde o portifólio era adotado, fazendo entrevistas com o corpo pedagógico das escolas e com os alunos, principais interessados no processo.

Tendo participado de algumas atividades em aulas dos professores Denis Bédard e de Roland Louis, durante o curso de doutorado, estes me convidaram a integrar o Groupe CERES (Centre de Recherche sur l’Enseignement Superieur), indo ao Canadá com o objetivo de, além de ministrar a referida disciplina, de participar de alguns encontros com o Grupo CERES onde dei uma conferência intitulada Pédagogie Universitaire: une expérience brésilienne.

Minha breve estada no estado do Québec me rendeu inúmeras oportunidades de capacitação profissional, além de divulgação do estado da arte do ensino, no Brasil. Enquanto Membre de l’ACFAS (Association Canadienne Française pour l’Avancement de la Science) e, então participante do grupo CERES, tive minha inscrição paga por esse grupo, para participar do 74 Congrès de l’ACFAS, na Mc Gill University, em Montreal, onde apresentei a comunicação intitulada « L'enseignement et l'apprentissage de la langue maternelle dans une université brésilienne: état de la situation ».

Mas, certamente, essa história não pára por aqui!

 

Considerações (quase) finais

 

Mesmo sem obter ainda o título acadêmico de Professor Pleno, sinto-me exatamente assim: plena de realizações, plena de amor pelos meus estudantes e pelos seus feitos acadêmicos e profissionais, que bem sei, ajudei a tornar possível, seja com os conteúdos teóricos que transmiti, seja pelo meu exemplo de vida, seja pelo cuidado que sempre tive ao preparar e dar minhas aulas. Sou plena de desejo que eles também galguem seus espaços, como aconteceu comigo.

E, se me arvoro em dizer que me sinto plena, o faço baseada em alguns dos muitos depoimentos que corroboram essa assertiva, os quais transcrevo na seção seguinte, pois são a prova imaterial das minhas contribuições à UEFS, minha universidade de formação e meu espaço de trocas significativas enquanto profissional que tem descoberto nos livros e na vida a descoberta de novas formas de arte, a constante busca pela ampliação de horizontes! E essa busca constante me trouxe até aqui, visto que “trago no olhar visões extraordinárias, de coisas que abracei de olhos fechados (...)”. (Florbela Espanca).

E são essas visões e suas ramificações que passo a relatar nas próximas páginas dessa história a muitas mãos, dentre as quais as mãos dos meus estudantes e maiores incentivadores, dos quais guardo as lições apreendidas nas muitas aulas que ministrei ao longo dos meus mais de trinta anos de ensino. Na esteira desse saudosismo, convoco Benjamin Franklin que diz que “Ou escreves algo que valha a pena ler, ou fazes algo acerca do qual valha a pena escrever”. Nessa mesma linha de pensamento convido ainda Sigmund Freud quando este assevera que “Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos” e foi na ponta dos dedos que alguns estudantes, após um dos meus cursos usou diferentes suportes para me mandar uma palavra de agradecimento ou incentivo.

Neste momento, peço-lhes licença, para apresentar-lhes um pouco da minha experiência docente, que certamente contribuiu para eu estar aqui, agora, assumindo esse papel.

Quando escolhi ser professora, estava ciente dos percalços, mas acima de tudo das alegrias da profissão, pois como diz Caetano Veloso, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é ... E hoje, não falo das dores, mas do carinho, do respeito, da amizade dos meus alunos, que me ajudam a caminhar, mesmo quando me encontro desacreditada da minha missão.

No ano de 1997, dois anos após ingressar como professora da UEFS, recebi o seguinte e-mail, que apresento na íntegra, sem qualquer intromissão magistral, como fazemos os professores de redação:

 

Querida professora, é bem provável que a Senhora lembre-se de mim, não que eu seja algum aluno em especial, mas percebo que a sua vocação como educadora a faz prestar mais atenção em seus alunos do que a média. É importante dizer que estou escrevendo

só para dizer que me lembro constantemente da professora e a tenho como uma referência importante como poucas, e isto parece a mim mesmo algo diferente pelo fato de eu estudar Economia e não Letras.... Gostaria intensamente agora de possuir o Dom da palavra, gostaria de não cometer gafes gramaticais e de estética para não a envergonhar, gostaria de fazer entender o quanto aprendi mesmo sem ter aprendido tanto.... aprendi a ser menos, aprendi a ser mais.... aprendi a continuar ouvindo e a crer na vida. Talvez até já soubesse boa parte destas coisas... no entanto, é imoral negar quando aparece em nossas vidas, ainda que de passagens, espíritos obstinados tais quais os teus.... . Obrigada por ser essa professora apaixonada...

 

Um grande beijo de um aluno que a admira muito, como professora, como pessoa. (Carlos Eduardo)

 

No ano passado, recebi um e-mail com teor semelhante. Dessa feita de um estudante de Letras, que dizia assim: “Não sei se a senhora lembra de mim, meu nome é Reinaldo Venas e fui seu aluno em Metodologia da Pesquisa em Letras. 

Bom, finalmente eu estou me formando e como não tive a oportunidade de lhe agradecer pessoalmente, tomei a liberdade de lhe citar nos meus agradecimentos do convite. Realmente tenho muito a lhe agradecer por todos os ensinamentos tanto do conteúdo curricular quanto o extra, já que sua postura profissional, justa e eficaz, reforçou tudo o que eu já pensava sobre ser um professor. Muito obrigado mesmo por tudo, não é exagero, pra mim, uma palavra basta pra mudar tudo”.

 

No dia dos professores, neste ano de 2012, recebi algumas mensagens, via facebook, agradecendo pelas interações que tive com alguns alunos que fizeram questão de registrarem suas impressões acerca do meu trabalho, como esse depoimento da estudante Lorena Almeida: “A UEFS me deu a oportunidade de estar com mestres maravilhosos, mas de todos que tive, não me canso de dizer que você foi a melhor. Amiga, profissional, dona de uma inteligência singular, de um belíssimo caráter, tenho um imenso prazer de Deus ter me dado o privilégio de poder absorver um pouco desse teu saber... Feliz dia do professor, minha linda Doutora!! Quero poder chegar ao teu nível, não gosto de me espelhar muito em pessoas, mas uso a sua história de vida para poder me espelhar!!!Tenho certeza que assim como eu, a senhora marcou a vida de muita gente!! Que Deus continue usando esse dom e contaminando muita gente!!!”.

 

Ampliando a análise de Lorena, outras estudantes de Letras corroboraram a visão do professor formador, quando dizem que: “Tenho certeza que a fala de Lorena expressa o que muitos dos teus alunos gostariam de te dizer neste dia, que não é só de comemoração, mas de reflexão e gratidão. Quero dizer que também fui muuito feliz em ter você como professora. Parabéns, querida ! Você é especial ! (Ju Alves)

 

“Os alunos demonstram seu carinho, apenas, para aqueles MESTRES que realmente merecem!!! Esse é o seu caso. (Carla Cerqueira) 

 

 “Muito obrigada professora, admiro muito a sua postura e profissionalismo, confesso que adquiri muito conhecimento através de suas aulas”. (Cátia Souza).

 

Foi essencial nesse semestre tão conturbado a sua contribuição para o nosso desenvolvimento enquanto educadores, falo isso também em nome dos meus colegas mais achegados. Apreciamos muito conviver com alguém que ama a profissão e que visivelmente dá o seu melhor. Obrigada e espero que não mude”. (Indira Meir)

 

Tenho muito orgulho e satisfação em tê-la como professora... Pode ter a plena certeza de que a senhora, juntamente com suas aulas, influencia significamente as nossas vidas. Obrigada por existir profa. Girlene Portela e por fazer parte de minha vida”.

(Graciely Cândido)

 

Que saudades das suas aulas! Muitos dos seus ensinamentos eu tento transmitir hoje aos meus alunos. Obrigada por tudo, bjs e MUUUITO sucesso. (Pryscila Silva)

 

Foi muito bom conviver com a senhora Pró. Vamos sentir muito a sua falta”. (Malena Brito,)

 

Minha professora, musa inesquecível! Vc torna a vida mais doce e a arte de ensinar mais prazerosa, por isso sou seu fã incondicional”. (Waldomiro)

 

A aula de Letramento do MEL é aula da/para Vida. É o Letramento Vivenciado, Compartilhado, Vivo!!!!! É Letramentos”. (Luziane Amaral)

 

Além da utilização das redes sociais, tenho recebido muito incentivo, através do livro de visitas do meu site, quando ex-alunos, colegas ou mesmo visitantes oriundos de diferentes estados registram suas impressões acerca do meu trabalho, como podemos constatar em alguns depoimentos abaixo:

 

Linda a sua história de vida. Ficou show o seu site. Deus te abençoe sempre. Esta pessoa maravilhosa que você é”. (Gilmar Neves, UFJF)

 

“Pró querida... a sensação de maravilhada é latente diante desse espaço. Muito bom continuar tendo acesso às maravilhas proporcionadas pela senhora”. (Sandra Dias)

 

“Mesmo sem pertencer ao meio acadêmico, não pude resistir a essa leitura, não somente pela sua construção, uso das palavras, clareza na compreensão, mas principalmente por contribuir substancialmente para o uso comum da minha escrita, por facilitar nossa interação com o mundo. Parabéns”! (Aurelino Santana, Aracaju)

 

Muito bom seu site, Girlene. Parabéns! Importante contribuição à vida Acadêmica dos docentes e discentes”. (Suani Vasconcelos, profa de Letras da UEFS)
Tenho olhado o seu site; é muito bom! Gostei muito do banco de textos, é extremamente proveitoso para nós professores. Parabéns! Um abraço!” (Edvaldo).    
Pró, cada vez mais sinto-me orgulhoso quando encontro pessoas iguais a você, que realmente valoriza e estimula a busca genuína pelo conhecimento. És, sinceramente, diferente dos demais. Sucesso sempre! (James Atayde)  
     
         

Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria. Romanos 12.7-8. Professora Girlene, certamente os seus dons e talentos são tudo isso já dito. E digo mais a sua competência me contagia a cada aula”. (Edirley Cardoso).

 

Além desses depoimentos em diferentes suportes, em 2008, após assistir a minha defesa para a mudança de Adjunto para Titular, um dos meus ex-estudantes e hoje amigo e colega, que para meu orgulho se encontra na França fazendo doutorado, postou no seu blog o seguinte texto:

 

O tema dessa homenagem é Educação, e a cada ser homenageado vou atribuir a marca MIME. O nome tem origem no conceito platônico Mimesis, que, grosso modo, significa representação da natureza mediante fazer artístico. Mas aqui há duas acepções básicas para tal palavra: mimo e sigla (Modelo Inteligente para o Melhor da Educação).

O primeiro MIME é Girlene Lima Portela (dispensam-se aqui biografia e currículo). Um ser humano que, antes de saber que iria ser grande, simplesmente pensou em crescer tendo como cajado a educação que move indivíduos. Antes de ser doutora foi senhora, antes de ser mãe, foi filha, antes de ser professora foi estudante, antes de ser acadêmica foi e continua sendo uma mulher simples, cujo coração pulsa forte e nos contagia alegremente

Não precisou muito ir além - e ao longe - pra entender que educação se faz com afeto, dedicação, compromisso e, antes de tudo, vivência. Sim! Ela viveu e acompanhou quase todos os níveis de educação linguística de um indivíduo, no Brasil e exterior, isto é, das séries iniciais à pós-graduação, e, antes mesmo de fazer carreira no magistério, já havia lecionado para alunos residentes na zona rural.

Pensar na experiência da doutora tão comprometida com sua função associando sua prática a calos e rugas como eufemismos para idade é incorrer-se num profundo engano. Pró Girlene, como amigos, fãs e alunos-discípulo acostumam a chamá-la, pode ser confundida nos corredores da universidade como mais uma aluna, quanto ao nível de jovialidade e elegância. Não há calos nem rugas, há apenas vontade de ensinar que seus alunos se comprometam com uma educação capaz de trazer luz às pessoas, mesmo àquelas que já nem acreditam que existem lâmpadas por perto”.

(Fonte: http://co-lirius.blogspot.com/2009/02/mimo-1.html)

 

Sei que pode parecer piegas e autopropaganda, transcrever algumas das falas de meus alunos, mas isso importa muito para mim, pois sei-me plena não por ter publicado muitos artigos, livros, não por ter participado de muitos eventos, mas quando tenho a certeza de que pude colaborar para o desenvolvimento pessoal e/ou profissional dos estudantes com os quais divido as melhores partes dos meus dias, pois adoro o que faço, tenho muito orgulho em ser professora. Assim, corroboro a poesia de Cecília Meireles quando ela diz que: ‎"O vento é sempre o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha. Somente a árvore seca fica imóvel entre borboletas e pássaros" e como não posso ficar indiferente ao carinho e admiração constantes dos meus estudantes, respondo de forma diferente às exigências da CAPES, do MEC, do CNPQ, pois o que me importa de verdade é ser plena em felicidades, porque tenho cumprido meu papel social ao formar pessoas que saibam valorizar as contribuições recebidas. Não poderia deixar passar essa oportunidade de expressar o meu amor à minha profissão e aos atores que tanto imprimiram significância aos meus dias, quase todos eles dedicados à Educação real, no corpo a corpo da sala de aula, palco que mudou a minha história...

“(...) Desde então, passei a idealizar meus alunos, desejando que estes sejam tão desafiadores quanto competentes, tão brilhantes quanto humanos, pois enquanto professora sou, inevitavelmente, instrumento de busca pelo conhecimento e, em algum momento, exemplo, pois nós professores fomos talhados para fomentar o desejo de aprender, mas também devemos  estar cientes de que temos muito para aprender com cada um daqueles que passam a fazer parte da nossa vida e a complementarem a nossa experiência de seres no mundo, pois jamais  devemos  perder de vista quem somos, nem de onde viemos, pois antes de sermos profissionais, somos gente que pensa, sente, sofre, ama, falha, erra, acerta; Vez que somos criança e somos adultos, somos professores, mas também homens e mulheres. Ensinar e aprender são ações de mão dupla que nos levam a ser outro, constantemente”.  (Trecho extraído do meu Discurso de Paraninfa da Turma de Letras com línguas estrangeiras, em 2009).
Desvelando esse Enredo

 

Fugino do sertão insano

Minha famia foi buscá

Educação, saúde, conhecimento

Pra mode se assussegá,

Pois quem nasce no sertão

E num busca se amiorá

cria raiz,

se apega à vidinha de lá

Morre cedo,

de tanto sol pegá

Num vê gente estudada

Num troca cunhecimento

Num aprende com outras gente

Assim pensô D. Helena,

E cum toda a famia

Se arrancô de lá

Me matriculano na escola

Logo viu minha vida mudá

De fessora cabo de vassôra

A enseignante no Canadá

 

E foi assim que se assucedeu o que acabo de narrá, se de argunha coisa isquici, que os membro do jury vão mim perduá, pois com o avançado da idade a gente pode se atrapaiá,

Desejo a todo ocês um retorno bão aos seus lar.

 

Desvelando os créditos do enredo

 

ANDRADE, Carlos Drummond de. O avesso das coisas. Aforismos. São Paulo: Record, 1990.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais Ensino Médio. Parte II. Linguagens, Códigos e suas tecnologias, 2011.

BRASIL. Plataforma Lattes. http://lattes.cnpq.br/

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4765771A7

CORALINA, Cora. In http://pensador.uol.com.br/autor/cora_coralina/

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2004

GALEANO, Eduardo. In http://vousairparaveroceu.blogspot.com.br/2012/05/eduardo-galeano-em-barcelona-nao-somos.html

GOULART, Cecília. Letramento e modos de ser letrado: discutindo a base teórico-metodológica de um estudo. In Revista Brasileira de Educação. v. 11, n. 33, set./dez. 2006. p.450-562.

MELLO NETO, João Cabral de. Entre o Sertão e Sevilha. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. 1ª edição 1988.

PORTELA, Girlene Lima. Da tropicália à marginália : o intertexto (a que será que se destina?) na produção de Caetano Veloso. Salvador: EGBA (Editora gráfica da Bahia), 1999. v. 01. 146p .

PORTELA, Girlene Lima. A Escrita na Escola: Desafios e Propostas para o Professor de Língua e Redação. Intersecções (Jundiaí), v. 02, p. 1-341, 2012.


PORTELA, Girlene Lima. Ler para compreender; escrever para interagir: o papel dos processos e estratégias de escrita no ensino-aprendizagem. Diadorim (Rio de Janeiro), v. 01, p. 103-116, 2010.


PORTELA, Girlene Lima. Contribuições da lingüística textual para o ensino-aprendizagem da leitura/escrita. A Cor das Letras (UEFS), UEFS, v. 01, p. 74-89, 2004.

 

PORTELA, Girlene Lima. Olhar e (não) ver: os desafios para a análise de um texto fotográfico. In: IV COLSEMI, 2012, Rio de Janeiro. Linguagem, códigos e suas tecnologias: Estudos e aplicações. Rio de Janeiro: Dialogarts, 2012. v. 01. p. 1382-1393.


PORTELA, Girlene Lima; PREFONTAINE, C.; FORTIER, G. Pratiques d’Enseignement de l’ Écriture en Première Année du Secondaire à Feira de Santana, au Brésil. In: II CIELLA (Congresso Internacional de Estudos Linguísticos e Literários na Amazônia, 2010, Belém. Línguas e Literaturas: diversidades e adversidades na América Latina. Belém: UFPA, 2009. v. 2. p. 517-530.


PORTELA, Girlene Lima. A relação dialógica na produção/recepção textual: a informatividade e a situacionalidade em questão. In: I Forum Nacional discurso e textualidades, 2007, Jequié. Olhares sobre o texto: o lugar do texto e o texto como lugar, 2007. p. 69-77.

 

PORTELA, Girlene Lima. Ler para compreender; escrever para interagir: o papel dos processos e das estratégias para o ensino-aprendizagem. In: II CIELLA, 2009, Belém. Línguas e Literaturas: Diversidade e Adversidades na América Latina. Belém, 2009.


PORTELA, Girlene Lima. L'enseignement et l'apprentissage de la langue maternelle dans une université brésilienne: état de la situation. In: 74 Congrès ACFAS, 2006, Montréal. Le savoir trame de la modernité - 74 congrès de l'acfas, 2006. p. 01-324.


PORTELA, Girlene Lima. Ensino-aprendizagem de língua portuguesa I em cursos da UEFS. In: Seminário Internacional sobre pesquisa, ensino e formação de professores, 2006, Feira de Santana. I seminário de pesquisa.


PORTELA, Girlene Lima. Ensino-aprendizagem de escrita: novas possibilidades. In: XI SILEL, 2006, Uberlândia. Caderno de programação. Linguagem e cultura: intersecções. Uberlândia, 2006. v. 01.


PORTELA, Girlene Lima. A escrita na escola pública feirense: processos e estratégias de ensino. In: VI Congresso Nacional de Estudos Lingüísticos e Literários, 2002, Feira de Santana, 2002. p. 100-100.

 

SANTOS, Flávia Rodrigues; PORTELA, Girlene Lima. O discurso na poesia de Ildásio Tavares. um estudo da coesão e da coerência textual. Revista Graduando, v. 1, p. 63-73, 2011.

SANTOS, Jocenilson Ribeiro dos ; FROES, Geisa; PORTELA, Girlene Lima. Argumentação e prática discursiva: um estudo das condições de produção em concurso de redação do Programa Universidade para Todos. In: III Simpósio Internacional sobre Análise do Discurso: emoções, ethos e argumentação, 2008, Belo Horizonte. Anais III Simpósio de Análise do Discurso. Belo Horizonte: UFMG, 2008.

 

Girlene Portela na web:

   http://www.girlene.com.br/ (Site oficial)

  http://m.maploco.com/details/7f62cuzr (Estatísticas de visitas do site) https://twitter.com/girleneportela (Novidades e posts) https://www.facebook.com/girlene.portela (Novidades e posts) https://www.facebook.com/groups/Letramentos/ (Fórum de discussões) Site acerca dos sites de pesquisadores brasileiros: http://www.letras.etc.br/  

 

 

 


[1] Ou sequer meus pais sabiam da importância que isso tinha em suas simplicidades sertanejas, pois para eles mais valia algumas horas de trabalho como babá (minha primeira profissão aos onze anos de idade) para ter mais comida na mesa!!

[2] Inclusive o Projeto TRANSE foi reportagem de capa daquela edição.

[3] In: 74 Congrès ACFAS, 2006, Montréal. Le savoir trame de la modernité - 7congrès de l'acfas, 2006. p. 01-324.

 

[4] Neste último ano, meus estudos tem se ampliado para a aplicação da linguística textual em suportes multimodais, especificamente no que tange a fotografia, mote de minha participação no COLSEMI.  

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