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Resenha acerca do artigo Contribuições da Linguística Textual para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita

24/01/2017 - Jaqueline Macêdo Almeida

PORTELA, Girlene L. Contribuições da Linguística Textual para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita. A Cor das Letras, nº 5. Feira de Santana: UEFS, 2004. p. 75-90[1].

 

Girlene Lima Portela é Mestre em Linguística pela UNICAMP (1999), Doutora e PhD em Educação pela Université de Sherbrooke (2003). Professora PLENA da Universidade Estadual de Feira de Santana. Leciona na graduação e Pós-Graduação. Tem experiência na área de Letras e de Educação. Desenvolve pesquisas nas áreas de ensino-aprendizagem e de estudos semióticos e discursivos. Membro dos GTs Linguística Aplicada e Linguística Textual e Análise da Conversação (ANPOLL) e da ALAB (Associação de Linguística Aplicada do Brasil). Criou e coordenou o ENEALE (Encontro Nacional sobre Ensino-Aprendizagem de Leitura e Escrita) desde 1997. Foi co-editora da Revista A Cor das Letras. Autora do livro Da Tropicália à Marginália: O intertexto (“a que será que se destina?”) na produção de Caetano Veloso.

 

O artigo sob análise apresenta importantes contribuições da linguística textual para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita mostrando, a partir de um embasamento teórico, o objeto de estudo da LT – o texto – e seus fatores de textualidade, além das peculiaridades da produção textual.

O artigo é dividido em cinco tópicos, o primeiro traz um "brevíssimo histórico" da Linguística Textual. O terceiro tópico, “O texto e seus fatores de textualidade”, apresenta, na primeira parte, uma indagação: “O que é um texto?” e trata de: “Texto e intertexto, texto e intertextualidade, texto e coesão, texto e coerência e os fatores pragmáticos da textualidade: Texto e informatividade, texto e situacionalidade, texto e aceitabilidade”. O quarto tópico mostra um “Contexto teórico-prático: análise de alguns fatores de textualidade” e o quinto tópico: Conclusão.

No início do artigo, Portela mostra, utilizando um esquema, um brevíssimo histórico da Linguística Textual, no Brasil e na Europa, em seguida, mostra com o que essa ciência se preocupa, seu objeto de estudo (o texto), que em sua globalidade pode proporcionar um melhor nível de produção escolar e cita o projeto “A circulação de textos na escola (...)” coordenado por Chiappini (1998) para apontar deficiências no ensino de leitura e escrita, quando professores dos cursos de Língua Portuguesa realizavam atividades de leitura sem uma discussão ou análise sobre o texto e sem atividades que valorizassem a escrita, além de utilizarem os livros didáticos como material auto-suficiente.

A respeito do texto e seus fatores de textualidade, a autora conceitua texto, apontando para a sua definição e função com base nos teóricos Chareaudeau (1992), Fiorin (1996) e Barthes (1991), destaca a relevância da intertextualidade para a Linguística Textual e expõe os fatores texto e coesão, texto e coerência com destaque para a pesquisa de Charolles (1996) que faz um estudo no qual não diferencia coerência de coesão: "O que, para alguns, é coesão, para Charolles, trata-se de coerência microestrutural; o que outros chamam de coerência é, para ele, coerência macroestrutural" (p. 90-91). Portela também cita trabalhos sobre os fatores de textualidade, realizados no Brasil "sempre baseados nos pesquisadores ingleses e franceses, a exemplo daqueles desenvolvidos por Koch e colaboradores e por Fiorin" (p. 91) e apresenta os fatores pragmáticos da textualidade como fatores “de extrema importância para a construção da textualidade" (p.91). São eles: Texto e informatividade, texto e situacionalidade e texto e aceitabilidade.

A articulista também aborda importantes condições de produção de um texto com base em Hayes et Flower (1980) e Geraldi (1997) e trata novamente de deficiências no ensino de leitura e escrita citando, dessa vez, uma pesquisa de Garcez (1998) com 72 alunos, a qual mostrou que a maioria deles apresentou um bloqueio na competência  escrita. Também são apresentados quatro fragmentos de textos através dos quais ela analisa alguns fatores de textualidade. Na conclusão, ela declara que métodos mais sistemáticos de análise de textos podem servir de meio para que o uso dos fatores de textualidade e cognitivos possam contribuir para a melhoria das aulas de escrita.

O artigo apresenta, de forma equilibrada, as contribuições da Linguística Textual para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita, uma vez que, além de mostrar o objeto de estudo da LT, os fatores de textualidade e apontar para a complexidade desse processo de ensino, contrasta essas informações com alguns exemplos de inadequação da maioria das práticas de leitura/escrita que não valorizam esses conhecimentos e acabam deixando de oferecer aos alunos meios para que eles leiam e escrevam bem.

A apresentação e análise dos fatores textuais, no artigo, podem contribuir para que professores de língua reflitam sobre a importância do conhecimento de Linguística Textual para o ensino de leitura/escrita e adequem suas práticas às condições necessárias a esse ensino.

Esse artigo pode ser interpretado por qualquer interlocutor que se interesse pelo tema tratado e, principalmente, por estudantes de Letras e Professores de Língua Portuguesa, pois o mesmo pode contribuir para que esses estudantes e profissionais reflitam sobre a importância das peculiaridades do processo de leitura/escrita nas práticas de ensino de língua.

 

 

 

 

 

 


[1] Jaqueline Macêdo Almeida - Graduada em Licenciatura em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana e estudante do Curso de Especialização em Linguística e Ensino-Aprendizagem de Língua Portuguesa na mesma instituição.

 

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