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Resenha do artigo Texto no contexto: uma proposta escritural

14/07/2017 - Consuelo Penelu Bitencourt

PORTELA, Girlene Lima. Texto no contexto: uma proposta escritural. Revista Leia Escola, 2014, p. 24-39. Disponível em: http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/Leia/article/view/325/255.  

Consuelo Penelu Bitencourt[1]  

Sobre a autora

Girlene Lima Portela é Mestre em Linguística pela UNICAMP e Doutora e PhD em Educação pela Université de Sherbrooke. Professora Plena da Universidade Estadual de Feira de Santana. Desenvolve pesquisas nas áreas de ensino-aprendizagem e de estudos semióticos e discursivos. Orienta pesquisas nas áreas de Educação e Letras. Autora do livro Da Tropicália à Marginália: o intertexto (a que será que se destina?) na produção de Caetano Veloso, o qual integra o acervo do MIS (SP), do livro L'enseignement-apprentissage de l'éciture au secondaire: une recherche-intervention e demais artigos sobre pesquisa, leitura e escrita, além do site http://www.girleneportela.com.br.

 

A obra

O artigo Texto no contexto: uma proposta escritural, publicado pela Revista Leia Escola, volume 14, número 1, em 2014, tem 16 páginas e é dividido em 6 capítulos, cujos títulos relacionamos a seguir: 1. A importância da leitura para a melhoria da qualidade escritural, 2. O texto no contexto acadêmico: as contribuições das correntes teóricas, 3. A importância dos fatores textuais/discursivos para a melhoria da escrita, 4. Desvelando nossa contribuição: uma proposta de ensino-aprendizagem, 5. Modelo de Ensino-aprendizagem de leitura/escrita: base componencial, 6. Considerações (quase) finais. O artigo trata de uma experiência de trabalho com textos, vivenciada pela autora numa turma de graduação, com base nos conceitos teóricos que norteiam a produção escrita.

No primeiro capítulo, a autora aborda o conceito de leitura como uma gama de possibilidades disponibilizadas ao leitor, que podem ser aderidas ou refutadas, conforme sua experiência de vida. Nessa mesma vertente conceitual, encontramos a definição de texto como uma sequência de pistas a serem decifradas. Essa definição corrobora com os conceitos de KOCH (1997), citada pela autora, que estende a produção e sentido da leitura também ao ato de escrever. Encerrando esse tópico com LEFFA (1996), PORTELA traz a imagem dos espelhos, na qual a leitura é representativa de elementos da realidade.

O capítulo 2, O texto no contexto acadêmico: as contribuições das correntes teóricas (Reconceituando texto), defende que o texto, ao ser produzido, baseia-se sempre num modelo de situação. A autora segue tecendo diálogos com alguns teóricos da área, a exemplo de Teun van Diijkn (1978), que considera três dimensões na construção de um texto, a saber: a dimensão pragmática, a dimensão global e a dimensão linguística de superfície.  Nesse fio que conduz ao entendimento do que é um texto, outros teóricos são chamados a interagir, a exemplo de Leffa (1996), que diz que a compreensão de texto perpassa pela relação das informações fragmentadas com a visão de mundo do leitor. PORTELA conclui que, para além das informações e intenções, ao produzir um texto é necessário levar em conta sua organização, que se completa através dos fatores textuais.

No terceiro capítulo, cujo título é A importância dos fatores textuais/discursivos para a melhoria da escrita, vemos uma síntese da conceituação textual de acordo com os autores já apresentados e com as conclusões da autora e, a seguir, discorre-se sobre textualidade como a concretização de elementos constitutivos do texto/discurso. Essa textualidade/discursividade pressupõe uma interação entre escritor/falante e leitor/interlocutor.

No quarto capítulo: Desvelando nossa contribuição: uma proposta de ensino-aprendizagem, a autora descreve uma experiência de trabalho com a disciplina língua portuguesa nos cursos de graduação em que leciona, e estabelece o foco em uma das turmas, onde ministra aulas na disciplina Língua Portuguesa VI. Nesse experimento, surgiu uma prática orientada de produção textual na qual os estudantes, em duplas, descreviam cada objeto que lhes era apresentado, surgindo textos diversos, de acordo com as experiências e criatividades pessoais. Este último aspecto, segundo a autora, frequentemente deixado de lado pelas escolas.

No quinto capítulo: Modelo de ensino-aprendizagem e leitura/escrita: base componencial, ainda com base nos textos produzidos no experimento narrado no quarto capítulo, a autora apresenta os fatores de textualidade como elementos do plano de ensino-aprendizagem de leitura/escrita desenvolvido por ela. São analisadas a intencionalidade e a aceitabilidade, que, segundo a autora estão diretamente ligadas; coerência, informatividade e situacionalidade, também indissociáveis; e a intertextualidade.

A autora segue descrevendo sua proposta metodológica de ensino de leitura/escrita, que além de fundamentar-se nos fatores acima referidos, conta também com um módulo, o qual irá orientar o processo escritural dos estudantes. Nesse módulo, a chamada etapa diagnóstica consta de leituras de textos de gêneros diversos, consultas a materiais de apoio e discussões, a fim de que o estudante perceba suas dificuldades com a escrita e possa nomeá-las. Na segunda etapa do módulo, os estudantes irão analisar os textos dos colegas em duplas, registrando as dificuldades encontradas. Nessa fase, são apresentadas questões referentes a leitura, escrita, estratégias utilizadas. A seguir, a etapa de Análise e registro dos progressos, e por último, a Publicação das produções (feedback).

O sexto capítulo do artigo em questão, cujo título é Considerações (quase) finais, é uma conclusão das ideias apresentadas nos demais, destacando a fundamentação teórica para o processo da escrita, e a importância das práticas de leitura em sala de aula, como fundamentação para a escrita. Destaque também para o aprofundamento no conhecimento linguístico, para que o estudante possa conhecer a língua e gostar do ato de escrever. A autora conclui com os pensamentos de três autores: Leffa, Darcy Ribeiro e Caetano Veloso, este último diz Mas os livros que entraram em nossa vida .... apontando para a expansão do Universo, destacando, assim, a relevância da leitura e escrita para a existência humana.

 

Análise Crítica

O artigo Texto no contexto: uma proposta escritural, de Girlene Lima Portela, aborda uma temática fundamental para as discussões sobre o atual contexto educacional brasileiro: a prática de ensino da leitura e escrita, especialmente numa turma de licenciatura, incitando, nos aspirantes a professores de língua, a importância dessa prática para o desenvolvimento das habilidades necessárias ao processo escritural.

Dessa forma, o artigo oferece a estudantes e professores de língua portuguesa uma proposta de modelo de plano de ensino de leitura e escrita, que pode ser duplicado ou adaptado conforme o público.

O modelo proposto pela autora inicia-se com a constatação da leitura como base para a formação do produtor de textos, passando pela relação indissociável leitura/escrita: ao produzirmos um texto, o fazemos a partir das pistas que adquirimos em diferentes leituras (PORTELA, 2014). Assim, o texto sempre reflete nossas experiências leitoras e nossas habilidades de textualidade.

Aprofundando a leitura, mergulhamos cada vez mais no universo dessa dupla inseparável leitura/escrita, no qual o conceito de texto é explicitado, levando em conta os fatores textuais. Tudo isso com base em treze anos de estudos e pesquisas da autora, vindo agora à tona num texto de leitura acessível, bem estruturado, cujas partes se completam e interagem. A produção culmina, nos capítulos 4 e 5, na descrição, com base nos pressupostos teóricos e nas produções textuais dos alunos, da proposta de ensino-aprendizagem de leitura/escrita desenvolvida pela autora.

O modelo sugerido por Portela contempla desde as atividades de leitura até a escrita, análise, avaliação e divulgação de textos, no intuito de habilitar os estudantes como produtores textuais, ou melhor, escritores. Essa prática, além de favorecer as atividades de leitura e escrita na graduação de futuros professores de língua portuguesa, irá também capacitar esses mesmos estudantes a iniciarem suas práticas de sala de aula com mais propriedade e experiência, contribuindo assim para os avanços nessa área.

Recomendamos o presente artigo a todos os estudiosos da língua portuguesa, e em especial àqueles que se interessam pelas questões de texto, leitura e escrita, e prática de escrita em sala de aula.

 


[1] Estudante do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS), na Universidade Estadual de Feira de Santana, professora de língua portuguesa na educação básica. E-mail: cpenelu@gmail.com.

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