Girlene Lima Portela | LinkedIn Acompanhe no Twitter Curta no Facebook Visualize no Flickr Assista no YouTube
 Artigos
1 2 3 4 5 6 Próxima >>

Resenha sobre o artigo Texto no contexto: uma proposta escritural

14/07/2017 - Fernanda de Souza Leal

PORTELA, Girlene Lima. Texto no contexto: uma proposta escritural. HTTP://revistas.ufcg.edu.br/ch/index/php/Leia /article/view/325/255 Revista leia Escola. 2014, p. 24 – 39.

 

Fernanda de Souza Leal[1]

 

Sobre a autora: Girlene Portela é doutora e PHD em Educação pela Universidade de Sherbrook. Atualmente é professora plena da Universidade Estadual de Feira de Santana, lecionando dos cursos de graduação e pos-graduação. Desenvolve pesquisas nas áreas de estudos semióticos e discursivas. É a autora dos livros Da Tropicália à Marginalia: o intertexto (a que será que se destina?) na produção de Caetano Veloso e Enseignement-apprentissage de l’écriture au secondaire: une recherche intervention. É também autora de vários artigos. É membro de GEALIM, ANPOLL e ALAB, grupos que pesquisam a Linguistica Aplicada. Possui também um site cujo endereço é: www.girleneportela.com.br

 

Obra e análise

O artigo Texto no contexto: uma proposta escritural está organizado em seis capítulos, sendo os cinco primeiros referentes a discussões conceituais sobre texto:leitura e escrita e também referentes a fatores textuais/discursivos importantes e necessários no estudo e na produção de textos. O sexto capítulo apresenta conclusões finais ou quase finais, como intitula a autora, sobre a pesquisa realizada. O artigo apresenta ainda uma experiência vivenciada pela autora em uma de suas turmas de graduação de Língua Portuguesa, com discussões que muito contribuem para a prática do professor nos trabalhos de produção de textos.

A autora inicia o artigo defendendo a importância da leitura para a melhoria da qualidade escritural, busca em KOCH (1997) reafirmações sobre importância da leitura na produção de texto, esta que nos leva a refletir que quando produzimos um texto, o fazemos a partir das pistas que adquirimos em diferentes leituras . Ainda nesse capítulo, a autora convoca LEFFA (1996), que amplia a discussão sobre leitura, associando o ato de ler com a ação de ver o mundo através de espelhos.

No segundo capítulo, a autora apresenta o texto no contexto acadêmico, considerando as contribuições das correntes teóricas e dialoga com outros teóricos para reconstituir o conceito de texto. Reflete sobre as múltiplas capacidades exigidas na produção de um texto, considerando que o mesmo se constrói a partir de um modelo de situação, na qual se integra conteúdo semântico a uma estrutura de conhecimentos ou esquemas. Associa as afirmações com a teoria de TEUAN VAN DIJK (1978), que considera as dimensões: pragmática, global e linguística de uma superfície na produção e na leitura de um texto. O diálogo não se finda nessa discussão, pois outras vozes são trazidas pela autora como LEFFA (1996) para refletir sobre o preenchimento de lacunas em um texto e também GREIMAS e COURTÉ(1989) para problematizar e questionar o conceito de texto.

No terceiro capítulo, a autora fala da importância dos fatores  textuais/discursivos para a melhoria da escrita. Retoma a discussão inicial sobre texto e sintetiza todos os conceitos afirmando: “texto é um conjunto de pistas que nos guiam para a compreensão da(s) mensagen(s) nele veiculada(s), PORTELLA ,          p 26. Nesse mesmo tópico também nos leva a entender que, embora haja muitas definições para texto, não podemos nos esquecer de que o mesmo se organiza através de uma textualidade, ou seja, é necessária a presença de elementos essenciais como clareza precisão e objetividade do discurso. Ainda nesse espaço de discussão, a autora do artigo traz questionamentos que mexem com a postura de qualquer professor de Redação. Ela questiona: “Como podem os alunos dissertar sem conhecera fundo a temática a ser tratada? Os estudantes dominam a arte da escrita? Sabem o que vem a ser um texto? Conhecem sua importância? Todo professor de Redação deveria ser interpelado por essas questões.

Seguindo no quarto capítulo, Portela relata uma experiência que contribui para o processo de ensino aprendizagem da escrita. Ela descreve uma atividade que solicitou aos alunos da Graduação em Letras com Espanhol, no ano de 2012. Pediu para que os alunos desse curso elaborassem uma aula para uma determinada série que pudesse discutir um fator de textualidade. Entre todas as atividades apresentadas, a que mais chamou a atenção da autora foi a de um grupo que solicitou aos alunos da turma uma produção de um texto descritivo acerca de alguns objetos que seriam retirados de uma bela caixa. Após analisar as produções, a autora constata que, apesar de as instruções serem as mesmas, cada autor imprime, em seu texto, suas experiências pessoais, sua concepção de mundo e, ainda, sua criatividade. E finaliza o capítulo tecendo uma crítica à escola, que muitas vezes não tem valorizado tal criatividade.

No penúltimo capítulo: Modelo de Ensino Aprendizagem de leitura/escrita:base componencial, a autora apresenta outros fatores da textualidade: intencionalidade e aceitabilidade e associa suas afirmações com as teorias de BEAUGRAND e DRESSLER (1981), quando afirmam que para uma manifestação linguística se constituir em um texto é necessário que haja intenção e para que um texto tenha aceitabilidade é relevante a atitude de um receptor frente a ele. A coerência, a informatividade e a intertextualidade também são apresentadas nesse capítulo e a autora analisa todos esses fatores nas atividades de escrita, organizando em duas etapas:  a etapa diagnóstica e a etapa análise feedback.

Na última parte do trabalho, sexto capítulo, o qual a autora intitula de considerações (quase) finais, Portela discute a importância de o professor desenvolver, em seus alunos, a capacidade da leitura e fazê-los entenderem como ela é importante para seu desenvolvimento intelectual bem como para a melhoria de sua escrita.  A autora considera que a função do professor de escrita é muito mais que ensinar regras gramaticais, é fazer o aluno entender que a linguagem é um instrumento de interação humana. E concluiu fazendo uma sensata reflexão sobre o papel da academia no cenário da leitura/escrita na vida dos jovens brasileiros: “estamos presos a uma redoma criada pelos nossos títulos e pelos órgãos de fomento, que exigem semideuses com currículos invejáveis e, por isso mesmo, distantes das realidades das escolas.” No entanto, a autora mesmo inserida nesse contexto, busca ser uma profissional diferente e mergulha nesse oceano de reflexões, afirmações e teorias com as quais coaduna e busca refletir acerca do seu papel social.

O artigo não pode deixar de ser lido por nenhum professor que verdadeiramente ensine produção textual. Os questionamentos e afirmações apresentadas chegam a invalidar a prática de alguns professores que, muitas vezes, aprisionados por métodos repetitivos, não avaliam a relevância de sua prática no contexto de ensino-aprendizagem. Um texto dialógico que traz várias vozes, despertando no leitor o interesse pelo assunto bem como propondo uma tomada de decisão para a mudança de postura enquanto professor de Língua Portuguesa. A linguagem detalhada e clara apresenta fatores textuais que COSTA VAL tanto propõe para o ensino de produção textual, em seu livro Redação e Textualidade (1991).

Pode-se também associar  as preocupações da autora do artigo com as ideias da professora Irandé Atunes em seu livro Aula de Português: encontro e interação (2003), quando afirma que não se pode praticar um escrita destituída de qualquer valor interacional, sem autoria e sem recepção (apenas para exercitar). Por fim, o artigo pode ser interpretado por todo leitor que tenha interesse sobre o tema e certamente lhe trará muitos conhecimentos.

   


[1] Mestranda em Letras – UEFS

Pós graduada em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Psicopedagogia Institucional e Clinica

Professora de Língua Portuguesa na educação básica nas redes publica e privada.

Deixe seu comentário
Visual CAPTCHA
 
 

LINGUAGENS

  • O Clube do Filme (David Gilmour)

    Um crítico de cinema utiliza dos seus conhecimentos sobre o tema para, através de f...

    CONTINUE LENDO
  • Lições de francês

    Relata a história paralela de três professores de francês e seus três al...

    CONTINUE LENDO
Interaja Conosco
 
El Empleo

Imitação, Trabalho, Vida.

Video espetacular sobre vida e trabalho. Não deixem de ver!!

Álbuns
® Girlene Portela - 2017. Todos os direitos reservados. Bahia - Brasil Desenvolvido por Otavio Nascimento