Girlene Lima Portela | LinkedIn Acompanhe no Twitter Curta no Facebook Visualize no Flickr Assista no YouTube
 Artigos
1 2 3 4 5 6 7 Próxima >>

Resenha do artigo

21/08/2016 - Nilton Carlos Carmo Sousa



PORTELA, Girlene L. Ler para compreender; escrever para interagir: o papel dos processos e das estratégias de escrita no ensino-aprendizagem de redação. Revista Diadorim, Rio de Janeiro, v. 06, n. 02, p. 103-116, 2009.  [1]

 

A professora Girlene Lima Portela é Doutora e PhD em Educação pela Université de Sherbrooke. Atualmente é professora plena da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), lecionando nos cursos de graduação e Pós-graduação. Desenvolve pesquisas nas seguintes áreas: ensino-aprendizagem e estudos semióticos e discursivos. É autora do livro “Da Tropicália à Marginália: o intertexto (a que será que se destina?) na produção de Caetano Veloso” e de vários artigos. Além disso, é membro do GEALIM, ANPOLL e ALAB, grupos que pesquisam a Linguística Aplicada.

O artigo está dividido da seguinte maneira: Introdução; Processos e subprocessos de escrita: ler para compreender; Pré-escrita; Rascunhar para planejar; Passar a limpo para atualizar; Revisar para (auto-)avaliar; Aplicando a teoria: etapas a serem seguidas para o sucesso da escritura; Conhecimento e desenvolvimento de estratégias de escrita; Objetivos das estratégias; Análise e registro dos progressos; Publicação das produções (feedback); Escrever textos variados: algumas sugestões; A escrita de um texto: resolução de problema; Considerações finais.

O artigo em questão versa sobre os processos e as estratégias de escrita nas aulas de redação. Além disso, discute problemas e propõe novas metodologias para o ensino de escrita nas referidas aulas.

Inicialmente, a autora relata que o ensino brasileiro está aquém do esperado por se preocupar com a quantidade de conteúdos dados em sala, em vez de considerar mais importante a qualidade do ensino, sendo este, nas aulas de redação, transmissivo. Esta consideração de Portela (2009) é bastante pertinente, uma vez que retrata o ensino de redação no Brasil. Em seguida, a pesquisadora aponta que é inviável os alunos produzirem textos em cinquenta minutos de aula, como tem, erroneamente, sido sugerido por professores de redação. Além disso, aponta pesquisas que indicam que é necessário mais de cem minutos para se efetuar uma produção textual.

Na seção: Processos e subprocessos de escrita: ler para compreender, a autora traz uma informação fundamental para o ensino de escrita, que diz respeito ao trabalho com a leitura, visando a ampliação da “visão das ações”, das “possibilidades para a criação/reprodução de estilos [...], do léxico” (p. 104), a fim de que estes elementos possibilitem uma melhor experiência com a escrita.

Como Portela (2009) discute o papel dos processos e das estratégias de escrita, argumenta sobre a pré-escrita que, segundo a autora, é espontânea e corresponde ao esboço da futura produção. Esse esboço deve ser revisado pelo próprio aluno que o escreveu e depois por outra pessoa, que pode ser o professor, um dos colegas ou um parente. À medida que a  pesquisadora apresenta esse processo da escrita, ela também apresenta intervenções pedagógico-metodológicas, como se percebe a partir da linha oito da página 105.

Outro processo de escrita importante, elucidado por Portela (2009) é o Rascunhar para planejar. Nesse processo, o aluno deve ter acesso a materiais de consulta, como dicionários e gramáticas, para tirarem suas dúvidas à medida que escrevem. Esses materiais de consulta sempre devem ser utilizados pelos alunos, inclusive para que eles consigam detectar o que está bom e o que precisa ser melhorado na escrita. Por esta razão, a pesquisa trata de outras duas fases, a saber: Passar a limpo para atualizar e Revisar para (auto-)avaliar.

Na primeira fase, que funciona como uma antecipada revisão, o aluno atualiza aquilo que ele julga ser melhorado. Na segunda, percebe-se que é necessário que o professor incentive o aluno a revisar seu escrito, porque esta ação permite que ele teste suas potencialidades e fraquezas. Além disso, Portela (2009) propõe sete estratégias para escrita: motivação, planificação, antecipação, tempestade de ideias (Brainstorm), modelação, consolidação e feedback. Todo esse percurso que se deve traçar/seguir para o ensino da escrita é bastante esclarecedor, por isso, nesse sentido, a autora é muito feliz, visto que delineia um percurso gerativo para o ensino da escrita.

Levando-se em consideração que toda teoria precisa ser aplicada, a autora sugere, para a aplicação, que os alunos passem por sete fases complementares, entre elas, a fase diagnóstica, em que os alunos devem ler textos de vários gêneros para, em seguida, construírem o plano do seu próprio texto; e a fase de exploração de outros textos “que apresentem problemas linguísticos e textuais, com exemplos de correção” (109).

No que concerne ao conhecimento e desenvolvimento de estratégias de escrita, Portela (2009) traz algumas questões que devem ser respondidas pelos alunos, a fim de que eles tracem suas estratégias de leitura e escrita. Na parte das questões referentes à leitura, seria interessante que houvesse, também, a seguinte questão: Você relaciona ou já relacionou algum texto a outro quando estava lendo-o?

Nas seções: “Análise e registro dos progressos” e “Publicações das produções”, fica patente a importância que o aluno deve ter. Isto, desta maneira, deve ser demonstrado pelo professor, que vai dar ao aluno um barema para que ele mesmo detecte os problemas do texto, “considerando sua natureza: no sentido macro (forma, conteúdo, progressão etc.) ou no sentido micro (correção linguística, coesão, coerência etc.)” (p. 111).

Finalizando, a autora discute, na seção “A escrita de um texto: resolução de problema”, três etapas sugeridas por Poissant (2005) para resolver um problema, a saber: uma arrumação, uma indução e uma transformação. Essas três etapas retomam as ideias abordadas pela autora em todo o texto, que dá conta de discutir, efetivamente, a escrita enquanto meio de interação verbal, levando-se em consideração os processos e as estratégias da escrita no ensino-aprendizagem de redação.

Ainda a título de conclusão, pode-se dizer que todo o artigo possui ideias originais e esclarecedoras, de modo que o tema tratado, de fato, merece ser investigado e discutido com afinco.

No que tange ao objetivo da pesquisa e à adequação da teoria realçada para a realidade, infere-se que o objetivo foi alcançado e que é possível adequar a pesquisa a diferentes realidades, considerando-se os diferentes contextos. Além disso, é preciso pontuar o uso de um vocabulário acessível, assim como uma excelente progressão textual.

Nesse sentido, é de suma importância a leitura do artigo aqui resenhado, sobretudo pelos professores de redação, haja vista tratar de um tema frequente em sala de aula e de total relevância, que diz respeito aos processos e estratégias de escrita.  


Nilton Carlos Carmo Sousa é Graduado em Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas (UNEB/CAMPUS XXII – Euclides da Cunha/BA) e estudante da Especialização em Linguística e Ensino-Aprendizagem de Língua Portuguesa (UEFS – Feira de Santana/BA). E-mail: nccsousa@hotmail.com

Deixe seu comentário
Visual CAPTCHA
 
 

LINGUAGENS

  • O motivo (Javier Cercas)

    Faz-nos refletir acerca da capacidade do escritor de transfigurar e de hipnotizar o leitor, mas a...

    CONTINUE LENDO
  • Uma escola para a vida (by Muriel Spark)

    Apresenta uma concepção de relações afetivas, baseada em sentimentos ...

    CONTINUE LENDO
Interaja Conosco
 
Discurso Patronesse

Girlene Portela, Patronesse,Discurso

Ser madrinha de uma turma mais que especial é uma honra! 

Álbuns
® Girlene Portela - 2018. Todos os direitos reservados. Bahia - Brasil Desenvolvido por Otavio Nascimento