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Reflexões poéticas para entender a Existência

03/05/2019 - Angelo Riccell Piovischini

Atravesso o sertão e o cheiro de suas matas enamoram a minha alma. Eu tenho um caso de amor com a caatinga. Nela eu descobri a minha primeira paixão. Foi em meio às terras caatingueiras que eu descobri os prazeres cálidos do desejo e do amor. Em meio à caatinga o meu corpo e alma com a qual eu vejo o mundo nunca mais foram os mesmos. Foi nessas terras, que segredam magias e encantados, que me descobri homem, gente, persona. Enquanto o ônibus célere singra a estrada o perfume dos alecrinzeiros na beira da estrada vai invadindo meus sentidos, reavivando memorias pueris de um tempo que não volta mais, e nem teria que voltar. A beleza da vida está em viver o que se pode e ser grande por isso. Há inocência nesse ato, nessa entrega entre mim, a caatinga de meu sertão baiano e as minhas memórias. A lua está ali... logo ali como testemunha inegável, Jaci banhada de mel e luz. O vento que traz o perfume da mata (Kosi Ewê, Kosi Orixá!) é a voz doce e o tato suave que acaricia a minha derme mestiça... É noite..  e eu singro o tempo como uma nave louca,  como se eu fosse infinito no finito...  como se finito fosse o medo de ser. As algarobas, os umbuzeiros e as quixabeiras de minha doce, sofrida e poética puberdade me esperam. O meu coração dispara. Vila Bela de Santo Antônio das Queimadas já abrirá seus braços para acariciar a minha saudade e a minha reverência. Não há outra forma de dizer senão que o meu espírito tocado pelos encantados do vento, da terra, do sol, das folhas, flores, troncos, galhos, frutos, perfumes e da lua da Caatinga tem como mátria este sertão lindo e árduo, bravo e guerreiro  que pulula os meus sonhos e desejos. (Riccell)

Nunca invejemos as relações alheias. Antes de tudo construamos um  caminho de emoções e sentimentos saudáveis para nós mesmos. Costumamos nos enganar fácil e julgar tudo pela aparência. Amemo-nos e o afeto será uma constante em nossa existência. A autoestima na medida certa  costuma ser um excelente afrodisíaco. Muitos de nós sofremos por estar sozinhos sem um suposto amor, sem um suposto corpo com quem dividir as delícias da carne, sem uma companhia com quem dividir os prazeres dos beijos ou mesmo com quem dividir o carinho de uma conversa ou um abraço mais íntimo. Apesar de tudo ter um propósito em nossas vidas e de aprendermos com todas as nossas experiências, é preciso situarmo-nos energeticamente para entendermos o porquê de afastarmos ou não atrairmos as pessoas. É, sobretudo, uma questão de como vemos a nós mesmos. As pessoas verão em nos aquilo que vemos e transparecemos. Sejamos, portanto, seres sedutores tendo como o nosso trunfo maior uma autoestima saudável, benévola e fraterna. Amar a si mesmo com verdade, entretanto, não significa anular o outro, amar-se é quando tudo quanto o mais nos ocorra não vale mais do que o afeto que guardamos por nós mesmo sem que com isso tenhamos que massacrar o nosso próximo, anulá-lo, espezinhá-lo. É só que quem, com verdade e respeito, não se ama primeiro não se torna hábil o suficiente para amar alguém verdadeiramente. E é assim,então, que abrimos caminhos largos para o abismo do egoísmo, da possessividade, do ciúme malfazejo e da autoestima destroçada. Amemo-nos e seremos capazes de entender que jamais estaremos sós. Amemo-nos e seremos um feixe luminoso de esperança e afeto dissipando toda treva. Amemo-nos e o universo cumprirá o seu papel de criar o caminho para que a nossa alma gêmea nos encontre e juntos construamos uma vida de afeto, cumplicidade, companheirismo e alegria. Não invejemos a felicidade de quem quer que seja. Não invejemos o amor de ninguém. O que é nosso sempre encontrará o seu caminho até nós, cedo ou tarde, dependerá de como intuímos o nosso destino e de quais energias espargimos no cosmos. Que amemo-nos sem egoísmo e sejamos amor para atrairmos amor. Paz e bem. (FRANCISCO TAURA)
 abismo

a humanidade parece
sempre estar no ocaso 
de suas palavras; 
no precipício do verbo
que lhe define e devora.
é sempre uma finitude 
pendendo nos lábios
de algum poeta,
de algum louco jogado
em uma praça,
de alguma mãe 
perdendo o seu rebento;
é sempre uma finitude 
pendendo nas fibras de algum galho 
arrancado de sua árvore;
é sempre uma finitude pendendo
nos lábios de alguma criança
dormindo sem pão
cujas lágrimas misturadas
à dor em seus estômagos
rolam como tsunamis 
em seus pequeninos rostos
frios, cadavéricos e inocentes,
nos lábios de alguma mãe preta
que amarga a ceifa de sua cria;
é sempre uma finitude 
pendendo da injustiça que viceja 
como uma prostituta alada,
de um coruchéu de igreja
que tomba, minha nossa senhora,
pela segunda vez no curso
de 789 anos na história,
é sempre uma finitude 
pendendo nos lábios
do índio que ainda é assassinado
e tem roubadas as suas terras,
do negro que ainda morre
tendo como culpada a cor de sua pele,
das mulheres que ainda são violentadas,
escravizadas, diminuídas, mortas;
é sempre uma finitude 
pendendo do amor entre iguais 
que parecem jamais aceitos,
dos corpos que se curvam
sem vida ante as covardes guerras,
aqui, ali e alhures.
não há o fim do posso
é tudo um abismo pelo avesso;
é sempre uma finitude 
pendendo de tudo,
sobretudo, da ignorância 
que domina e doutrina 
a humanidade pós-moderna 
em pleno século XXI.

(Angelo Riccell Piovischini) 
Filhinhos, não é fácil manter a esperança em tempos turbados e tenebrosos. Não é fácil manter o bom ânimo e a quietude em tempos de ódio e violência descontrolados. Jamais foi fácil manter a luz de nossa candela acesa enquanto atravessamos o deserto sombrio e ventanoso das noites de nossos pesares. Não é mesmo fácil manter o espírito sereno e confiante quando as desgraças se abatem sobre o nosso mundo humano ainda tão frágil e carente de amor; de amor redivivo e espontâneo. Claro que é difícil manter a fé quando a tormenta arrebenta-se contra o nosso equilíbrio. Claro que é difícil manter-se inabalável quando tudo o que vemos diante de nós é um mar revolto, ondas violentas; a tormenta querendo nos devorar. Como julgar a fraqueza moral da fé de Pedro se até o Cristo histórico em seu momento de angústia extrema à beira da morte olhou para os céus com olhos pungentes, banhados de dor, e gritou: “Meu pai! meu pai! Por que me abandonaste?”. Somos ainda tão humanamente frágeis, somos ainda tão dependentes e ainda tão imaturos. Somos ainda tão alheios à grandeza da vida e ao seu sentido mais profundo. Temos muito que ainda aprender na escola redentora da vida; nessa escola na qual nem sempre aprenderemos com sorrisos largos estampados nos lábios. Mas, nos esforcemos para ter bom ânimo ainda que duvidemos de que dias melhores virão, porque eles virão. Olhemos para o momento exato em que estamos e ainda que seja difícil, ainda que nos custem lágrimas e pesares, dores e revoltas, desesperos e solidão sigamos em frente lutando por acreditar em nós mesmos, no quanto podemos ser melhores hoje, no quanto podemos não nos conformar com a miséria e a injustiça e no quanto podemos lutar pela paz que só pode brotar no profundo de cada um de nós. Paz e bem. (Francisco Taura)
Quem disse que a vida se dá sem tensões? O tensionamento do tecido da vida serve a que estejamos conscientes de quem somos e, sobremaneira, de quem estamos. Dores e provações serão realidades humanas até que, depurados de nossas mazelas, avancemos para outros níveis de consciência, outros níveis de saber, outros níveis de conceber a experiência da existência universal. Somos seres em mutação e o nosso (des)envolvimento humano depende, sobretudo, do quanto nos libertamos de atavismos que alicerçam a pequenez, o coitadismo e a revolta em nosso espírito. Paz e bem.

(Francisco Taura)

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