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Meu espaço de educador

08/03/2013 - Girlene Portela

Mesmo sem obter ainda o título acadêmico de Professor Pleno, sinto-me exatamente assim: plena de realizações, plena de amor pelos meus estudantes e pelos seus feitos acadêmicos e profissionais, que bem sei, ajudei a tornar possível, seja com os conteúdos teóricos que transmiti, seja pelo meu exemplo de vida, seja pelo cuidado que sempre tive ao preparar e dar minhas aulas. Sou plena de desejo que eles também galguem seus espaços, como aconteceu comigo.

E, se me arvoro em dizer que me sinto plena, o faço baseada em alguns dos muitos depoimentos que corroboram essa assertiva, os quais transcrevo na seção seguinte, pois são a prova imaterial das minhas contribuições à UEFS, minha universidade de formação e meu espaço de trocas significativas enquanto profissional que tem descoberto nos livros e na vida a descoberta de novas formas de arte, a constante busca pela ampliação de horizontes! E essa busca constante me trouxe até aqui, visto que “trago no olhar visões extraordinárias, de coisas que abracei de olhos fechados (...)”. (Florbela Espanca).
E são essas visões e suas ramificações que passo a relatar nas próximas páginas dessa história a muitas mãos, dentre as quais as mãos dos meus estudantes e maiores incentivadores, dos quais guardo as lições apreendidas nas muitas aulas que ministrei ao longo dos meus mais de trinta anos de ensino. Na esteira desse saudosismo, convoco Benjamin Franklin que diz que “Ou escreves algo que valha a pena ler, ou fazes algo acerca do qual valha a pena escrever”. Nessa mesma linha de pensamento convido ainda Sigmund Freud quando este assevera que “Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos” e foi na ponta dos dedos que alguns estudantes, após um dos meus cursos usou diferentes suportes para me mandar uma palavra de agradecimento ou incentivo.
Neste momento, peço-lhes licença, para apresentar-lhes um pouco da minha experiência docente, que certamente contribuiu para eu estar aqui, agora, assumindo esse papel.
Quando escolhi ser professora, estava ciente dos percalços, mas acima de tudo das alegrias da profissão, pois como diz Caetano Veloso, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é ... E hoje, não falo das dores, mas do carinho, do respeito, da amizade dos meus alunos, que me ajudam a caminhar, mesmo quando me encontro desacreditada da minha missão.
No ano de 1997, dois anos após ingressar como professora da UEFS, recebi o seguinte e-mail, que apresento na íntegra, sem qualquer intromissão magistral, como fazemos os professores de redação:
Querida professora, é bem provável que a Senhora lembre-se de mim, não que eu seja algum aluno em especial, mas percebo que a sua vocação como educadora a faz prestar mais atenção em seus alunos do que a média. É importante dizer que estou escrevendo
só para dizer que me lembro constantemente da professora e a tenho como uma referência importante como poucas, e isto parece a mim mesmo algo diferente pelo fato de eu estudar Economia e não Letras.... Gostaria intensamente agora de possuir o Dom da palavra, gostaria de não cometer gafes gramaticais e de estética para não a envergonhar, gostaria de fazer entender o quanto aprendi mesmo sem ter aprendido tanto.... aprendi a ser menos, aprendi a ser mais.... aprendi a continuar ouvindo e a crer na vida. Talvez até já soubesse boa parte destas coisas... no entanto, é imoral negar quando aparece em nossas vidas, ainda que de passagens, espíritos obstinados tais quais os teus.... . Obrigada por ser essa professora apaixonada...
Um grande beijo de um aluno que a admira muito, como professora, como pessoa. (Carlos Eduardo)
No ano passado, recebi um e-mail com teor semelhante. Dessa feita de um estudante de Letras, que dizia assim: “Não sei se a senhora lembra de mim, meu nome é Reinaldo Venas e fui seu aluno em Metodologia da Pesquisa em Letras. 
Bom, finalmente eu estou me formando e como não tive a oportunidade de lhe agradecer pessoalmente, tomei a liberdade de lhe citar nos meus agradecimentos do convite. Realmente tenho muito a lhe agradecer por todos os ensinamentos tanto do conteúdo curricular quanto o extra, já que sua postura profissional, justa e eficaz, reforçou tudo o que eu já pensava sobre ser um professor. Muito obrigado mesmo por tudo, não é exagero, pra mim, uma palavra basta pra mudar tudo”.
No dia dos professores, neste ano de 2012, recebi algumas mensagens, via facebook, agradecendo pelas interações que tive com alguns alunos que fizeram questão de registrarem suas impressões acerca do meu trabalho, como esse depoimento da estudante Lorena Almeida: “A UEFS me deu a oportunidade de estar com mestres maravilhosos, mas de todos que tive, não me canso de dizer que você foi a melhor. Amiga, profissional, dona de uma inteligência singular, de um belíssimo caráter, tenho um imenso prazer de Deus ter me dado o privilégio de poder absorver um pouco desse teu saber... Feliz dia do professor, minha linda Doutora!! Quero poder chegar ao teu nível, não gosto de me espelhar muito em pessoas, mas uso a sua história de vida para poder me espelhar!!!Tenho certeza que assim como eu, a senhora marcou a vida de muita gente!! Que Deus continue usando esse dom e contaminando muita gente!!!”.
Ampliando a análise de Lorena, outras estudantes de Letras corroboraram a visão do professor formador, quando dizem que: “Tenho certeza que a fala de Lorena expressa o que muitos dos teus alunos gostariam de te dizer neste dia, que não é só de comemoração, mas de reflexão e gratidão. Quero dizer que também fui muuito feliz em ter você como professora. Parabéns, querida ! Você é especial ! (Ju Alves)
“Os alunos demonstram seu carinho, apenas, para aqueles MESTRES que realmente merecem!!! Esse é o seu caso. (Carla Cerqueira) 
 “Muito obrigada professora, admiro muito a sua postura e profissionalismo, confesso que adquiri muito conhecimento através de suas aulas”. (Cátia Souza).
Foi essencial nesse semestre tão conturbado a sua contribuição para o nosso desenvolvimento enquanto educadores, falo isso também em nome dos meus colegas mais achegados. Apreciamos muito conviver com alguém que ama a profissão e que visivelmente dá o seu melhor. Obrigada e espero que não mude”. (Indira Meir)
Tenho muito orgulho e satisfação em tê-la como professora... Pode ter a plena certeza de que a senhora, juntamente com suas aulas, influencia significamente as nossas vidas. Obrigada por existir profa. Girlene Portela e por fazer parte de minha vida”.
(Graciely Cândido)
Que saudades das suas aulas! Muitos dos seus ensinamentos eu tento transmitir hoje aos meus alunos. Obrigada por tudo, bjs e MUUUITO sucesso. (Pryscila Silva)
Foi muito bom conviver com a senhora Pró. Vamos sentir muito a sua falta”. (Malena Brito,)
Minha professora, musa inesquecível! Vc torna a vida mais doce e a arte de ensinar mais prazerosa, por isso sou seu fã incondicional”. (Waldomiro)
A aula de Letramento do MEL é aula da/para Vida. É o Letramento Vivenciado, Compartilhado, Vivo!!!!! É Letramentos”. (Luziane Amaral)
Além da utilização das redes sociais, tenho recebido muito incentivo, através do livro de visitas do meu site, quando ex-alunos, colegas ou mesmo visitantes oriundos de diferentes estados registram suas impressões acerca do meu trabalho, como podemos constatar em alguns depoimentos abaixo:
Linda a sua história de vida. Ficou show o seu site. Deus te abençoe sempre. Esta pessoa maravilhosa que você é”. (Gilmar Neves, UFJF)
“Pró querida... a sensação de maravilhada é latente diante desse espaço. Muito bom continuar tendo acesso às maravilhas proporcionadas pela senhora”. (Sandra Dias)
“Mesmo sem pertencer ao meio acadêmico, não pude resistir a essa leitura, não somente pela sua construção, uso das palavras, clareza na compreensão, mas principalmente por contribuir substancialmente para o uso comum da minha escrita, por facilitar nossa interação com o mundo. Parabéns”! (Aurelino Santana, Aracaju)
Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria. Romanos 12.7-8. Professora Girlene, certamente os seus dons e talentos são tudo isso já dito. E digo mais a sua competência me contagia a cada aula”. (Edirley Cardoso).
Além desses depoimentos em diferentes suportes, em 2008, após assistir a minha defesa para a mudança de Adjunto para Titular, um dos meus ex-estudantes e hoje amigo e colega, que para meu orgulho se encontra na França fazendo doutorado, postou no seu blog o seguinte texto:
O tema dessa homenagem é Educação, e a cada ser homenageado vou atribuir a marca MIME. O nome tem origem no conceito platônico Mimesis, que, grosso modo, significa representação da natureza mediante fazer artístico. Mas aqui há duas acepções básicas para tal palavra: mimo e sigla (Modelo Inteligente para o Melhor da Educação).
O primeiro MIME é Girlene Lima Portela (dispensam-se aqui biografia e currículo). Um ser humano que, antes de saber que iria ser grande, simplesmente pensou em crescer tendo como cajado a educação que move indivíduos. Antes de ser doutora foi senhora, antes de ser mãe, foi filha, antes de ser professora foi estudante, antes de ser acadêmica foi e continua sendo uma mulher simples, cujo coração pulsa forte e nos contagia alegremente
Não precisou muito ir além - e ao longe - pra entender que educação se faz com afeto, dedicação, compromisso e, antes de tudo, vivência. Sim! Ela viveu e acompanhou quase todos os níveis de educação linguística de um indivíduo, no Brasil e exterior, isto é, das séries iniciais à pós-graduação, e, antes mesmo de fazer carreira no magistério, já havia lecionado para alunos residentes na zona rural.
Pensar na experiência da doutora tão comprometida com sua função associando sua prática a calos e rugas como eufemismos para idade é incorrer-se num profundo engano. Pró Girlene, como amigos, fãs e alunos-discípulo acostumam a chamá-la, pode ser confundida nos corredores da universidade como mais uma aluna, quanto ao nível de jovialidade e elegância. Não há calos nem rugas, há apenas vontade de ensinar que seus alunos se comprometam com uma educação capaz de trazer luz às pessoas, mesmo àquelas que já nem acreditam que existem lâmpadas por perto”.
(Fonte: http://co-lirius.blogspot.com/2009/02/mimo-1.html)
Sei que pode parecer piegas e autopropaganda, transcrever algumas das falas de meus alunos, mas isso importa muito para mim, pois sei-me plena não por ter publicado muitos artigos, livros, não por ter participado de muitos eventos, mas quando tenho a certeza de que pude colaborar para o desenvolvimento pessoal e/ou profissional dos estudantes com os quais divido as melhores partes dos meus dias, pois adoro o que faço, tenho muito orgulho em ser professora. Assim, corroboro a poesia de Cecília Meireles quando ela diz que: ‎"O vento é sempre o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha. Somente a árvore seca fica imóvel entre borboletas e pássaros" e como não posso ficar indiferente ao carinho e admiração constantes dos meus estudantes, respondo de forma diferente às exigências da CAPES, do MEC, do CNPQ, pois o que me importa de verdade é ser plena em felicidades, porque tenho cumprido meu papel social ao formar pessoas que saibam valorizar as contribuições recebidas. Não poderia deixar passar essa oportunidade de expressar o meu amor à minha profissão e aos atores que tanto imprimiram significância aos meus dias, quase todos eles dedicados à Educação real, no corpo a corpo da sala de aula, palco que mudou a minha história...
“(...) Desde então, passei a idealizar meus alunos, desejando que estes sejam tão desafiadores quanto competentes, tão brilhantes quanto humanos, pois enquanto professora sou, inevitavelmente, instrumento de busca pelo conhecimento e, em algum momento, exemplo, pois nós professores fomos talhados para fomentar o desejo de aprender, mas também devemos  estar cientes de que temos muito para aprender com cada um daqueles que passam a fazer parte da nossa vida e a complementarem a nossa experiência de seres no mundo, pois jamais  devemos  perder de vista quem somos, nem de onde viemos, pois antes de sermos profissionais, somos gente que pensa, sente, sofre, ama, falha, erra, acerta; Vez que somos criança e somos adultos, somos professores, mas também homens e mulheres. Ensinar e aprender são ações de mão dupla que nos levam a ser outro, constantemente”.  (Trecho extraído do meu Discurso de Paraninfa da Turma de Letras com línguas estrangeiras, em 2009).

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