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Resenha do artigo

21/08/2016 - Nilton Carlos Carmo Sousa



PORTELA, Girlene L. Ler para compreender; escrever para interagir: o papel dos processos e das estratégias de escrita no ensino-aprendizagem de redação. Revista Diadorim, Rio de Janeiro, v. 06, n. 02, p. 103-116, 2009.  [1]

 

A professora Girlene Lima Portela é Doutora e PhD em Educação pela Université de Sherbrooke. Atualmente é professora plena da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), lecionando nos cursos de graduação e Pós-graduação. Desenvolve pesquisas nas seguintes áreas: ensino-aprendizagem e estudos semióticos e discursivos. É autora do livro “Da Tropicália à Marginália: o intertexto (a que será que se destina?) na produção de Caetano Veloso” e de vários artigos. Além disso, é membro do GEALIM, ANPOLL e ALAB, grupos que pesquisam a Linguística Aplicada.

O artigo está dividido da seguinte maneira: Introdução; Processos e subprocessos de escrita: ler para compreender; Pré-escrita; Rascunhar para planejar; Passar a limpo para atualizar; Revisar para (auto-)avaliar; Aplicando a teoria: etapas a serem seguidas para o sucesso da escritura; Conhecimento e desenvolvimento de estratégias de escrita; Objetivos das estratégias; Análise e registro dos progressos; Publicação das produções (feedback); Escrever textos variados: algumas sugestões; A escrita de um texto: resolução de problema; Considerações finais.

O artigo em questão versa sobre os processos e as estratégias de escrita nas aulas de redação. Além disso, discute problemas e propõe novas metodologias para o ensino de escrita nas referidas aulas.

Inicialmente, a autora relata que o ensino brasileiro está aquém do esperado por se preocupar com a quantidade de conteúdos dados em sala, em vez de considerar mais importante a qualidade do ensino, sendo este, nas aulas de redação, transmissivo. Esta consideração de Portela (2009) é bastante pertinente, uma vez que retrata o ensino de redação no Brasil. Em seguida, a pesquisadora aponta que é inviável os alunos produzirem textos em cinquenta minutos de aula, como tem, erroneamente, sido sugerido por professores de redação. Além disso, aponta pesquisas que indicam que é necessário mais de cem minutos para se efetuar uma produção textual.

Na seção: Processos e subprocessos de escrita: ler para compreender, a autora traz uma informação fundamental para o ensino de escrita, que diz respeito ao trabalho com a leitura, visando a ampliação da “visão das ações”, das “possibilidades para a criação/reprodução de estilos [...], do léxico” (p. 104), a fim de que estes elementos possibilitem uma melhor experiência com a escrita.

Como Portela (2009) discute o papel dos processos e das estratégias de escrita, argumenta sobre a pré-escrita que, segundo a autora, é espontânea e corresponde ao esboço da futura produção. Esse esboço deve ser revisado pelo próprio aluno que o escreveu e depois por outra pessoa, que pode ser o professor, um dos colegas ou um parente. À medida que a  pesquisadora apresenta esse processo da escrita, ela também apresenta intervenções pedagógico-metodológicas, como se percebe a partir da linha oito da página 105.

Outro processo de escrita importante, elucidado por Portela (2009) é o Rascunhar para planejar. Nesse processo, o aluno deve ter acesso a materiais de consulta, como dicionários e gramáticas, para tirarem suas dúvidas à medida que escrevem. Esses materiais de consulta sempre devem ser utilizados pelos alunos, inclusive para que eles consigam detectar o que está bom e o que precisa ser melhorado na escrita. Por esta razão, a pesquisa trata de outras duas fases, a saber: Passar a limpo para atualizar e Revisar para (auto-)avaliar.

Na primeira fase, que funciona como uma antecipada revisão, o aluno atualiza aquilo que ele julga ser melhorado. Na segunda, percebe-se que é necessário que o professor incentive o aluno a revisar seu escrito, porque esta ação permite que ele teste suas potencialidades e fraquezas. Além disso, Portela (2009) propõe sete estratégias para escrita: motivação, planificação, antecipação, tempestade de ideias (Brainstorm), modelação, consolidação e feedback. Todo esse percurso que se deve traçar/seguir para o ensino da escrita é bastante esclarecedor, por isso, nesse sentido, a autora é muito feliz, visto que delineia um percurso gerativo para o ensino da escrita.

Levando-se em consideração que toda teoria precisa ser aplicada, a autora sugere, para a aplicação, que os alunos passem por sete fases complementares, entre elas, a fase diagnóstica, em que os alunos devem ler textos de vários gêneros para, em seguida, construírem o plano do seu próprio texto; e a fase de exploração de outros textos “que apresentem problemas linguísticos e textuais, com exemplos de correção” (109).

No que concerne ao conhecimento e desenvolvimento de estratégias de escrita, Portela (2009) traz algumas questões que devem ser respondidas pelos alunos, a fim de que eles tracem suas estratégias de leitura e escrita. Na parte das questões referentes à leitura, seria interessante que houvesse, também, a seguinte questão: Você relaciona ou já relacionou algum texto a outro quando estava lendo-o?

Nas seções: “Análise e registro dos progressos” e “Publicações das produções”, fica patente a importância que o aluno deve ter. Isto, desta maneira, deve ser demonstrado pelo professor, que vai dar ao aluno um barema para que ele mesmo detecte os problemas do texto, “considerando sua natureza: no sentido macro (forma, conteúdo, progressão etc.) ou no sentido micro (correção linguística, coesão, coerência etc.)” (p. 111).

Finalizando, a autora discute, na seção “A escrita de um texto: resolução de problema”, três etapas sugeridas por Poissant (2005) para resolver um problema, a saber: uma arrumação, uma indução e uma transformação. Essas três etapas retomam as ideias abordadas pela autora em todo o texto, que dá conta de discutir, efetivamente, a escrita enquanto meio de interação verbal, levando-se em consideração os processos e as estratégias da escrita no ensino-aprendizagem de redação.

Ainda a título de conclusão, pode-se dizer que todo o artigo possui ideias originais e esclarecedoras, de modo que o tema tratado, de fato, merece ser investigado e discutido com afinco.

No que tange ao objetivo da pesquisa e à adequação da teoria realçada para a realidade, infere-se que o objetivo foi alcançado e que é possível adequar a pesquisa a diferentes realidades, considerando-se os diferentes contextos. Além disso, é preciso pontuar o uso de um vocabulário acessível, assim como uma excelente progressão textual.

Nesse sentido, é de suma importância a leitura do artigo aqui resenhado, sobretudo pelos professores de redação, haja vista tratar de um tema frequente em sala de aula e de total relevância, que diz respeito aos processos e estratégias de escrita.  


Nilton Carlos Carmo Sousa é Graduado em Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas (UNEB/CAMPUS XXII – Euclides da Cunha/BA) e estudante da Especialização em Linguística e Ensino-Aprendizagem de Língua Portuguesa (UEFS – Feira de Santana/BA). E-mail: nccsousa@hotmail.com

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