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Resenha do texto A possibilidade de intercâmbio entre Linguística Textual e o ensino de língua materna.

14/07/2017 - Romário Sena Oliveira

KOCH, Ingedore G. Villaça. A possibilidade de intercâmbio entre Linguística Textual e o ensino de língua materna.  Veredas. Juiz de Fora, v. 5, n. 2, p. 85-94. [1]

 

A estudiosa Ingedore G. Villaça Koch é formada em Letras e Direito, mestre e doutora em Língua Portuguesa pela PUC-SP, Livre-Docente (1990) e Titular (1999) em Análise do Discurso pela Unicamp, onde implementou a área de Linguística Textual. É professora titular aposentada do Departamento de Linguística do IEL- Unicamp. Entre suas várias obras constam: Linguística Aplicada ao Português: Morfologia e Sintaxe; As tramas do Texto; Linguística Textual: Perspectivas Alemãs; Introdução à Linguística Textual, também é coautora de uma Gramática da Língua Portuguesa por uma editora Portuguesa.

O artigo em questão, intitulado “A possibilidade de intercâmbio entre Linguística Textual e o ensino de língua materna” é composto por dez páginas, incluindo resumo e referências. Sua estrutura interna está seccionada em 3 tópicos principais, tendo o segundo 5 subdivisões de importante discussão proposta pela pesquisadora. Nota-se que a problematização do assunto engloba não só questões referentes à Linguística Textual, como também à Análise do Discurso e às aulas de Língua Portuguesa, o que os PCNs dizem sobre o ensino de língua materna, bem como o papel do professor. O artigo busca discutir, objetivamente, as postulações teóricas dos PCNs no que tais postulações se referem a conceitos base com relação à produção textual, se preocupando em orientar sobre determinados conceitos introdutórios da Linguística Textual como forma de melhorar o desempenho do ensino de língua portuguesa.  

No primeiro tópico desenvolvido, a autora traz contribuições sobre o objeto da Linguística Textual, apresentando trabalhos desenvolvidos na área, citando, por exemplo, os estudos de Marcuschi. No tópico seguinte, a autora conceitua texto, apresentando as várias concepções, que acompanham a história da Linguística Textual, e ressalta que não foi tarefa fácil chegar a tal conceituação. No terceiro tópico, apresenta o que preconizam os PCN’s em relação ao ensino de Língua Portuguesa, apontando como é recomendado por tal veículo regulamentador. E, com isso, pontua que o professor precisa de subsídios para que possa trabalhar e que em sua maioria são fornecidos pela L.T. Ainda neste tópico, há uma subdivisão em cinco sub-tópicos, os quais são: 1. referente ao ensino de gêneros presentes nos PCN’s. 2. referente à questão da coesão textual. 3. referente à coerência textual. 4. remete à competência textual com foco na leitura e produção textual.

Nas considerações finais de seu trabalho, Koch reafirma a importância da Linguística Textual ressaltando que o exposto no artigo é fácil de verificar, não só a possibilidade, mas também a necessidade de intercâmbio entre a Linguística Textual e ensino de língua materna e o papel do professor, e que tal permuta deve ser feita em mão dupla.

A seleção e a apresentação dos conteúdos são feitas de forma clara e didática, permitindo ao leitor uma informação panorâmica sobre a Linguística Textual na década de 1980. A problematização e a discussão sugerida por Koch têm relevância para os estudos do texto e do discurso, pois fundamentam as contribuições da Linguística Textual para o ensino, uma vez que expressa que dotar o professor de língua portuguesa de um instrumental teórico e prático adequados para o desenvolvimento da competência textual dos alunos, significa torná-los capazes de interagir socialmente por meio de textos dos mais variados gêneros, nas mais diversas situações de interação social, em conformidade com o que ela indica no final de seu artigo, nas considerações finais.  

Considerando o que foi discutido no texto de Koch, destaca-se que se trata de um texto bastante produtivo para professores e estudantes da área, pois faz um apanhado geral do que seria a Linguística Textual, qual seu papel e como fazer o diálogo com a prática docente e o ensino de língua portuguesa. No que diz respeito ao “possível intercâmbio”, comprova essa necessidade e viabilidade, tanto que cita, em suas considerações, Beaugrande (1971, apud Koch, 2001), quando ele referencia a linguística de texto, afirmando que hoje ela é melhor definida como um “subdomínio linguístico” de uma ciência transdisciplinar do texto e do discurso.” (KOCH, 2001, p. 93).

É interessante que possamos repensar sobre o ensino de língua materna, usufruindo de elementos que referenciem não só o que já vem sendo discutido, mas que englobe novas práticas, novas reflexões e que gerem resultados que auxiliem sobre as discussões em sala de aula no que compete à língua. Desta forma, a autora une as duas vertentes: a Linguística Textual e o ensino de língua materna, ou ainda no suporte/diálogo com as propostas do PCNs, visando o aperfeiçoamento e a união significativa das áreas. Com base no estudo apresentado por Koch, diria que hoje o texto é visto como objeto central do ensino, isto é, permite, não somente, atividades de leitura e produção de textos, levando o aluno a refletir sobre o funcionamento da língua nas diversas situações de interação verbal. Como sugestão ao estudo, seria importante que essa metodologia fosse estendida a todas as escolas, independentemente da condição social dos sujeitos.

Com a leitura deste artigo, os alunos de graduação, pós-graduação dos cursos de Letras podem, com mais facilidade, ficar motivados a aprofundarem seus conhecimentos neste ramo da linguística no meio acadêmico. A preocupação da autora em confluir a linguística textual com o ensino de língua portuguesa e prática docente em cada tópico proporciona esclarecimentos a respeito da área, sendo bastante pertinente a discussão proposta.

 


[1] Resenha produzida por Romário Sena Oliveira, graduado em Letras Vernáculas – UEFS (2016) e aluno do curso de Especialização em Linguística e Ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa – UEFS.

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