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04:14

14/12/2021 - Renato Moss

Escuto Chorona.

Em minha frente há um abajour
que aponta para uma parede.

Parei.

Tentei ressuscitar um cigarro no cinzeiro,
mas sem sucesso.

Ou não tentei o suficiente.

Então, olhei a parede
- Ela tem uma textura.

Também é um palco
e a estrela é uma mosca
que dança.

feliz ou desesperada, talvez,

mas dança!

Vai e volta,
como quem goza de um holofote.

Me observo,
Não sei se sou herói ou um degradado.

O pensamento me assalta outra vez:

O que seria se não fosse isso?
E se não fosse o que foi?
O que a mosca pensa sobre mim?

(...)

Chego a conclusão que pensamentos são inúteis,
Melhor tentar outro cigarro.

O que importa agora são as canções que me acariciam,
que me fazem companhia,
que me afagam como um abraço de mãe,

e a mosca.

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